Monthly Archives: September 2012

persona

‘The anxiety we carry within us, all our broken dreams, the inexplicable cruelty, the fear of death, the painful insight into our earthly condition, have worn out our hope of a divine salvation. The cries of our faith and doubt against the darkness and the silence are terrible proofs of our loneliness and fear.’ Do you think it’s like that?

Bibi Andersson reading from an (unidentified) book in Bergman’s Persona.

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carta para elisabet

“Dearest Elisabet,

Since I’m not allowed to see you, I’m writing to you. You don’t have to read my letter. You can ignore it. I cannot help seeking contact with you this way.

I’m haunted by a constant question… Have I hurt you in any way? Have I unknowingly hurt you? Is there some terrible misunderstanding between us? Do you really want me to go on?

I thought we were happy. We have never been so close. Do you remember saying “I’m beginning to understand what it means to be married”? You have taught me that we have to see each other ‘as two anxious children filled with good will and the best intentions, but ruled by powers that we can only partially control’. Do you remember saying all that? We went for a walk in the woods and you stopped and grabbed the belt of my coat…”

E, então, ela tira a carta escrita pelo seu marido das mãos de Alma e amassa o papel com força e angústia brutal.

Persona – Ingmar Bergman – 1966.

doce amargo

“Mas basta agora o que você me fez, acabe com essa droga de uma vez, não volte nunca mais…” (Do fundo do meu coração – Roberto Carlos)

Agora que os pontos finais pararam de existir em demasia a ponto de procriarem-se em reticências tão contínuas quanto o horizonte e os pontos do durante ligaram-se e formaram uma barreira em torno dos meus pontos, dizendo, portanto, que é como se nada tivesse nos acontecido, posso dizer que vejo com clareza o quanto não significamos nada.

E calo-me afim de que ninguém venha a reparar o quanto o hoje me faz mal. E rio com o intuito de guiar meu pensamento pra longe de onde os seus me estão guardados. E falo alto para mascarar o você que me atormenta. Fecho os olhos incansavelmente durante horas para me certificar que o tempo está correndo… Pois tenho esperanças de acordar e ainda ser dia três de fevereiro.

E no travesseiro, grito silenciosamente que te odeio… Odeio que você me atordoe sem compaixão ao meu eu emotivo, no espaço que eu chamo de memória. Consequentemente, forço o pensamento querendo ligar os pontos de tudo que aconteceu com tudo que eu ouvi falar; você é, portanto, aquele alguém que eu nunca me daria bem.

Você é meu carma, sendo que naquilo que, infelizmente, nos ocorreu; somos um sorvete de menta granizada com chocolate amargo e raspas de pimenta. Começa leve, mas, previsivelmente, acaba. Termina com aquela brutalidade de querer algo que adoce ou que pelo menos tire a queimação de nossas bocas; finaliza com força angustiante, com aquela triste sensação de péssima combinação: de não querer mais. Tendo início e fim. Mas, principalmente, o fim.

trespassar

“Mas nada vai conseguir mudar o que ficou… Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está. Nem desistir, nem tentar; agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa” (Por enquanto – Cássia Eller)

E sai. Deixe-me, por favor. Não se prenda. Não fique preso nesse vazio que é do outro lado da minha pele. Vem e sai. Juro que o lado de fora é melhor que este aí. Melhor pra mim, porque pra você diferença não faz, nunca fez.

Eu não te quero aqui, então, por favor, vá embora. Maldita a hora que eu decidi brincar de dardo, o que prova que feitiços viram-se contra feiticeiros. Isso. Deixe-me sozinha neste meu emaranhado chamado vazio. Deixe-me viver no meu eterno paradoxo. Sai logo daqui de dentro, eu até gosto da minha solidão: deste meu desinteresse pelo fixo.

Eu já não sei mais quem é mais forte: se é a minha pele, que te impede de rompê-la e, por isso, lateja constantemente ou se é você, que faz questão de se debater em mim, me fazendo doer. Por conta disso, eu já não sei mais até onde minha serenidade aguenta. Até onde vai minha paciência. Você me esgota. Degola-me. Sufoca-me. E nem sabe, nem conta se dá.

Eu quero que sejamos retas concorrentes, não uma bobina, nem um solenóide ou espira, muito menos um oito desenhado a duas mãos. Na verdade, eu me contentaria de bom grado se tivéssemos sido retas paralelas com coordenadas diferentes, o que me garantiria nunca ter te encontrado. Contudo, é isso que eu quero pensar, porque o meu outro eu quer o que se consegue sentir. Entretanto, prefiro que sejamos um ponto. Não dois, nem muitos. Apenas um. Dessa forma, suma. Porque, em suma, eu não quero assumir.

Eu já digo que não te conheço, portanto, faça o mesmo a esmo.

mês

Quando o dia 3, na verdade, é dia 4. O 12, daquela Quinta-feira a tarde, deixa de existir por falta de memória e vira dia 13. E no dia 5, não houve nada, foi apenas um Sábado. Decerto, no 17, uma chance quase foi dada… Por um triz não se deu. Quando aqueles 11 e 22, que não significaram uma triste palavra, tornaram-se brilhantes por não serem múltiplos de três e nem somarem três. Entretanto, é quatro, cinco e SEIS. E 15 faz parte apenas do cinco, que é primo, mas não deveria primar com três. Na Segunda, 27, é três três vezes e soma três ao quadrado; no entanto, na Sexta, 31, soma 4, multiplica 3, mas desemboca em 1 assim que a trigésima primeira meia-noite de Sexta se vai. E fecha-se um ciclo com todos os dias de um mês.