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diamante do três de setembro

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“… vai fazer você descobrir, que o sorriso anda cabisbaixo. Tem querer, procurar, se perder e sorrir pra quem bem lhe quer”

Incrivelmente, o próximo dia três de Setembro cairá em uma segunda-feira, portanto, duvido que algo aconteça. Digo isso pelo fato de que todos os acontecimentos marcantes ou simbólicos da minha vida tendem a cair em tal número quase todos os meses.

Juro com meus pés juntos que preciso de algo que mistifique minha vida com afinco. E, decerto, que finde uma nova etapa. Algo que modifique. Algo que rompa com os meus paradigmas, minhas lutas e medos e ditos. Algo que me teste e que afugente o Soldado que me faz marchar. Precisa ser sutil. E vem, pode me chamar, pode me dizer, pode olhar pra trás.

Mas, vem. Contudo, venha com calma. Venha manso e equilibrado, venha com meu completar que, por extensão, completarei. Não quero loucura, pode deixar que amiúde dessa eu tomo conta. Vem e me canta. Encante-me. E dance a sua dança, uma vez que juro dançar contigo; juro que não tentarei me impor. Deixarei que me cubra com um tecido qualquer, desde que tal seja bordado à tudo que me falta e também que tenha a capacidade de absorver meus excessos: transformando a matéria, sempre.

Todavia, não me ame. Não apareça na minha porta com o amor. Aceito a ternura, o carinho e o afago, mas a sementinha do mal: nunca. Ela me descontrola, desculpa… Dê as caras apesar de tudo, vai. Ganhe-me e me deixe muda, mas não tente me mudar. Deixa que eu mude por mim mesma. Não tente me calar, deixa que eu aprenda a hora certa de dizer… Ou me cale com veemência. Porventura, não tente nada, apenas venha. Solicite-me. Estou aqui.

Não precisa ser “da alma”, muito menos “do coração”. Precisa ser da Vida. Necessita estar no meu destino, pois juro que dessa vez farei diferente e deixarei que tudo entre. Então vem e me carrega. Vem, mas não me estressa. Vem e me tira do jogo. Vem e me enlaça. Vem e me lapida.

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se, porventura, faltar-me.

“So I reach into my pocket for some small change” (Two Coins – Dispatch)

Faz-me falta o abraço. Faz-me falta o afago. Faz-me falta o sossego e a paz. E me falta, sobretudo, paciência. Contudo, abrigo a lembrança e reminiscência de um passado não tão sólido, intenso e tenso, assim, por mais que falta faça, querer não quero. Não quero por ter achado que tinha ganhado, quando, na verdade, perdia. Logo, relutante ao sentimento da perda, atenho-me.

E luto, no luto que ninguém percebe. No luto que parece felicidade e descaso. No luto que abriga dor e rancor. No meu luto privado que me priva de cair; no meu luto privado que me mantém em pé e que mostra para o mundo o quão feliz é ser feliz. No meu mundo fictício, no meu mundo hipotético. No ledo engano de todas as manhãs e de todas as noites.

Posto que lágrima não existe, meu luto não é sofrimento. Ele é angústia, aflição e incomodo. Ele é vontade de ser grosseira e chata e mal-educada. Todavia, é vontade de te ver, mas não sozinho: é vontade de te ver com outra. É um luto de uma luta vazia. De um jogo sem porquês. De uma mente louca e atrapalhada. É o luto de quem perde a luta.