Monthly Archives: May 2015

vultos

Eu rompi. Desmanchei o laço que me unia ao passado. E, desenlacei qualquer amarra do presente. Rompi com o Mundo inteiro. Com você. Com vocês. Disse adeus aos instável e virei as costas. Rompi lentamente com os sentires. Quebrei em um só golpe: restou alguns cacos ou partiu-se precisamente. Despedaçar. Abstraí-me. Sobrou-me eu andando pela Cidade em um Domingo molhado e sem guarda-chuva. Liberdade. Solidão.

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ter sido, não ser

cafe

* dos devaneios que aparecem quando a mente já está na fila do abatedouro.

Em alta velocidade, bate no peito a saudade do que passou. Esta que se mantém sem finais felizes e, muito menos, arrependimentos. Talvez, as nuances do que ficou para trás sejam o oxigênio que me finca raízes no Mundo. Como deixar de ser já tendo sido um dia?

Inflo. Aperto. As complexidades de ser humano e não a madeira inanimada me abraça e me sente; quase que instantaneamente, tira-me da comodidade de pensar que apenas nasci e então hoje padeço – em sua forma mais simplória que é a existência – neste Mundo. Existir e ainda assim não ser. Existir, sem ao menos ser perguntada se quero. Questões.

Ainda que eu saiba que não somos como a madeira. Esta que nasce madeira e, ao longo do tempo, se transmuta em diversos objetos, mas que por mais que seja mesa ou cadeira ou caixinha, jamais deixa de ser madeira; a pergunta acima ainda me gera curiosidades. Estremeço. Imatura como a adolescente que quer abarcar o Mundo em uma tacada só.

Se fui feliz algum dia, posso deixar de sê-lo no minuto seguinte. Se todas as ações parecem apontar para algo importante, este algo pode se tornar um qualquer coisa assim que eu fechar os olhos. Medíocre. As determinações impostas exigem força, nada mais, todavia, a mente já caduca se alimenta de significados. Pois bem, a verdade é que não existe resposta para algumas perguntas. Estar no Mundo é ser gratuitamente lançada nele. Prazo de Validade.

Dessa forma, distancio-me ainda mais do que me cerca. Não sou madeira, ao contrário, ficou reservado a mim uma vida tão volátil quanto a do líquido que possui o menor dos pontos de ebulição. Uma vida encaixotada: limitada e definida. Sem sentido.

planos

*a vida só é possível reinventada_cecília meireles

Acordei diferente.

Acordei sem ter o dia planejado, na bem das verdades. Levantei. Banheiro. Copa. Presente. Quarto. Cama! Responde uma mensagem agora, as outras daqui duas horas, caso lembre delas. Acordei com o corpo cansado, mas isso não fora empecilho para que a vontade de me reinventar não deixasse de flertar com a alma. Não sei ao certo como isso se daria. Porventura, seja mais do que vontade, tornou-se necessidade de espírito. Jogar tudo para o alto. Esquecer. Liberdade. Romper. Adeus. Começar tudo de novo.

Quem seria eu, se vivesse sozinha no Mundo?

nada

city

* do desassossego de espírito: o prelúdio apático da inconstância na escrita… é a retaliação da alma perante as tarefas do cotidiano.

Ainda que a mente rodopie a cada minuto que passa, a vida cotidiana me impossibilita de alinhar todos os resquícios de devaneios que brotam exaustivamente. Sistema. Chego a tal ponto que, às vezes, sinto-me máquina, não-humana – como se meus processos fisiológicos já não mais valessem a pena neste cenário cimentado de concretos. Concreto-chão. Concreto-realidade. No mais, o nada acaba por fazer mais sentido do que todo o resto do Mundo que insiste em rodear o corpo.