Monthly Archives: April 2013

não sou de atenas

“Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem” (Rosa Luxemburgo)

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Eu enquanto ser humano, repudio qualquer prática que oprima, ofenda, exponha de forma grotesca qualquer outro ser humano em detrimento de sua imagem, postura, escolhas. Eu enquanto estudante, repudio qualquer prática que cale as vozes do meu grupo. Eu enquanto mulher, portanto, repudio qualquer prática que constranja e diminua a imagem de qualquer mulher na face da Terra. Em suma, não me calo por não me adaptar a uma sociedade na qual o machismo ainda está enraizado, ainda é tratado como normal, ainda é passível de risos e brincadeiras.

E, hoje no fim da tarde, eu descobri uma página no Facebook da maneira mais trágica possível: um ataque machista avaliando minha imagem e expondo-a com um vocabulário baixo, caluniando sobre onde eu vou (ou deixo de ir), o que eu quero com certas atitudes e todo o “tesão” que o autor sente ao me ver. Partindo do fato de que a página em questão tem seus moderadores, a maioria dos seguidores e o alvo das postagens pertencentes à Universidade de São Paulo: eu venho por meio deste denunciar o machismo de cada dia dentro da maior e “melhor” universidade da América Latina.

Na postagem, alega-se que eu vivo na Instituição em questão na busca da “pica” de algum cara. Dois pontos devem ser destacados a partir dessa calúnia: 1) Esclarecendo, eu frequento tal lugar por ser um espaço dentro da universidade que eu estudo e um espaço que faz parte do meu cotidiano, de forma que o motivo está longe de ser o dito, ou seja, o autor pega um ponto da minha vida e sem saber nada sobre ela, assume uma postura machista para justificá-la ao afirmar que eu só estou lá atrás dos estudantes e 2) E se fosse? Como isso afeta a vida dele? E, onde está escrito na Constituição Federal que eu não tenho direito sobre mim mesma e meu corpo? Então é pelo fato de eu ser Mulher que os meus interesses em certos lugares são considerados mais suscetíveis ao julgamento do que a mesma postura de um Homem nas mesmas condições? Merece destaque também o contexto do dia: se eu vou tanto assim a tal faculdade, por que o exercício de vexação foi feito logo no dia que eu estava lá fazendo campanha para as eleições do CONUNE? No fundo, o debate se baseia certamente no fato de eu ser mulher, condicionando que eu não posso ter amigos homens sem que existam interesses obscuros, que eu não posso beber em um lugar geralmente frequentado por homens que eu estou na busca de uma “pica” e, por ultimo, mas não menos importante, que lugar de mulher não é na política.

Alguns homens (e, por incrível que pareça mulheres, também) vão ler isso e achar exagero da minha parte vir reclamar dessa conduta e dizer “Ah, para, leva na brincadeira… era uma brincadeira, olha pra essa página”. E, eu digo: eu não me senti apenas ofendida, também me senti desrespeitada, mas isso sou eu, que não ligo muito para o que pensam de mim, o que me perturba mesmo é saber que o que postaram não é um caso isolado, muitas outras meninas ou mulheres são tratadas da mesma forma em algumas postagens daquela página e de outras páginas e na vida, porém, nem todas levam do jeito que eu estou levando, algumas caem em um limbo depressivo ao ver suas imagens e nomes tão expostos, outras se sentem tão humilhadas que mudam toda uma rotina e comportamentos próprios… E, ainda assim, vão dizer que a atitude dessas meninas é exagerada. Sendo que esse é um dos pontos que eu venho expor: o despreparo da nossa sociedade em identificar o machismo.

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Diariamente, desde crianças até a idade adulta, somos todos bombardeados pela grande mídia com programas, propagandas e campanhas que estereotipam os gêneros, que naturalizam as práticas machistas, de forma que este cenário torna-se totalmente normal, uma vez que não é tratado como humilhante, mas sim com risadas. Não podemos tolerar que ainda hoje mulheres sejam tratadas como objetos, nem ao menos, consideradas um; não podemos deixar que o machismo se atrele ainda mais aos costumes, precisamos combatê-lo e gritar para os 4 ventos que não somos submissas ao patriarcado, que nossa roupa não dita nossos interesses, que somos iguais a qualquer homem no campo dos negócios. Enquanto o machismo for consentido e tratado de modo congênito pela sociedade, nenhuma mulher estará livre de tal violência. E, jamais encontraremos solução para isso, se continuarmos a ocultar esses crimes de coação moral ou física, pois, uma vez que se denuncia, estamos não apenas protegendo a nós mesmos, mas a maioria das mulheres que, de uma em uma, tomam coragem para se libertar.

Por fim, não existe hora, dia, nem lugar exato para que tais agressões aconteçam. Nada justifica essas ações além da premissa maior de que a sociedade é machista historicamente. Somos todos, em algum nível, machistas; só que existe a diferença básica entre aqueles que são coniventes e aqueles que lutam contra essas práticas. A violência não é normal, admissível e trivial. Não podemos ser cúmplices dessas situações, muito menos disfarçar seus ocorridos. Nenhum espaço é espaço para práticas machistas e misóginas. Basta de machismo na sociedade, em todas as Universidades, na Universidade de São Paulo, no Movimento Estudantil, no dia-a-dia de cada Mulher.

 

MACHISTAS E MISÓGINOS NÃO PASSARÃO!

A luta das mulheres muda o Mundo.

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