Monthly Archives: July 2016

do minuto

acordar. café. carro. reunião. carro. almoço. reunião… um amigo do passado… mesa. cigarro… a rotina me engoliu. o dia enrijecendo cada vez mais. subitamente, uma avalanche tomou meu corpo. um incomodo tão imediato. fisgada de dor, daquelas que a dúvida da lágrima paira na mente. então, passou… mesa. carro. av paulista… outra pessoa do passado… não senti nada ruim. às vezes o passado não desperta apenas lembrança intragável… sorri. carro. casa. moletom. netflix.

não ando densa. ainda que a vista continue pesada e os olhos se apertem. ainda que por dentro seja tudo tão imensamente hermético. posso dizer que não sinto com frequência. sinto e deixo de sentir. tão imediatamente quanto piscar os olhos. tão rápido e ao mesmo tempo aterrorizante, que a respiração falha… e a incerteza oscilante: apatia ou vivacidade?

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do ______ vazio

_ ultimamente a mente tem colocado para o corpo a tarefa de resolver as emergências. o corpo realmente não sabe se aguenta mais. a mente se esforça para manter o maquinário funcionando. independente do dano para a alma.

Não sou. Não sei se algum dia fui. Se sou, sigo sendo nada. Um vazio que se instalou. Uma eterna lacuna em branco. Que é nada. Porém, sinto. Uma dor brutal da profundeza se espraia. Dor física. A cabeça não elabora… A guerra. O choro. Estatelada no chão. Por horas. Dirigindo. O choro. O corpo retorcido. Nada paira na mente. Vazia. Solitária. Apenas a dor. A mágoa. A vontade ensandecida de enlouquecer. Gritar. Respirar fundo. O pensamento centrado na dor física. Em “não aguento mais” repetidamente. Um, dois, três, quatro dias. Enrijecida de novo. A vida que continua. Nada muda. O baque de quando tudo muda rápido demais. Saiu da alçada. O corpo que quer desistir. O vácuo que a mente se torna. Vida. Rotina. Desconforto. Máquina. Concreto. Sozinha.

do fluxo

não sei como escrevo… o porquê é óbvio: escrevo para arrancar essa espécie de febre e dor dos sentires abundantes… sinto demais. ou, em boa parte do tempo, de menos – em escala: da ordem dos números negativos… escrevo a dor física. a dor dor. escrevo os concretos que se transformam em paranoias e desconforto.. os empecilhos da sobrevivência e sanidade. poucas vezes fui completamente subjetiva. ainda que a dor na alma seja, por definição, abstrata… o corpo sempre denuncia que não vou bem internamente, antes mesmo da mente alertar… a questão é que são raros os momentos que a febre de subjetividade adentra o corpo e consigo traduzi-la. mesmo que ela seja constante… mesmo me sentido complexa. mesmo quando me sinto nada. mesmo quando deliro… talvez, seja problemas de confiança… em mim mesma… comigo mesma… dentro de mim… porventura, vergonha não diagnosticada. e quando escrevo devaneios e confissões duras no caderno vermelho, nunca volto a ler. os tabus da minha vida… não sei. é só um fluxo de consciência que se instalou na cabeça. algumas palavras desconexas. apenas.