Monthly Archives: November 2016

do aniversário

Estou viva. Mas a morte é música. A vida, dissonância
– Presságio, Hilda Hilst

Nunca entendi o porquê de se comemorar aniversários. Principalmente, o meu próprio… Mais um ano de vida na Terra parece não fazer sentido. O calendário poderia ser qualquer outro, e neste, o aniversário poderia se dar em qualquer outro dia. Demasiadamente arbitrário… O que se comemora? Afinal, tão amarga a vida: do que vale? Talvez, seja só a minha… Os sentidos da experiência se perdem ou são ofuscados pela rotina. E, nesta última, as particularidades subjetivas silenciosamente se acumulam em prol das obrigações imediatas. Talvez, viver exija algum tipo de talento natural, que certamente não possuo. Existo.

Nesse movimento de enrijecimento precoce, não tenho celebrado nada. Ainda que racionalmente o peso da palavra vitória prevaleça. Enrijecer. Fortalecer… Conforme o final do ano se aproxima, uma náusea física ataca o corpo, como se borboletas velhas e bêbadas habitassem meu estômago. Desconforto.