Monthly Archives: November 2015

tremor

É tudo tão abstrato dentro de mim, que já não sei discernir meu grau de humanidade. A ressonância do laço que me interliga ao Mundo causa-me abalo sísmico. Daqueles fortes. Intensos. Ao mesmo tempo que, às vezes, acho que me encaixo, é ainda como se eu nunca pertenci e jamais pertencerei. Estou entre e distante. Romper, fixar. Inexplicável as reações do corpo quando o olho olha em volta. Misto de tudo. Medo. Angustia. Lágrima. Uma espécie de sufoco. Daqueles que as cordas vocais parecem enlaçar a garganta. Engasgo. A respiração falha.

inspirações #1

“Sim, minha força está na solidão.
Não tenho medo nem das chuvas tempestivas,
nem das grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite.”

Clarice Lispector.

Depois que meu aniversário passa e o fim do ano começa a se aproximar e tomar mais contorno, tenho mania de revisitar todas as grandes mulheres da minha vida. Ou, também, descobrir um Mundo de mulheres contemporâneas, vivas. Quiçá, mania não seja a melhor palavras, “necessidade” acho que contempla mais meu estado de espírito.

Ano passado, estava enlouquecida atrás de séries de TV que colocassem mulheres como protagonistas. Nunca pensei tanto no papel que nós cumprimos na televisão.

Este ano, meu coração quer escritoras – as minhas grandes inspirações. Essa entrevista que Clarice concedeu para a TV Cultura em 1977 é fantástica e eu não paro de assistir desde Segunda-feira. Decidi, então, compartilhar aqui algo que não seja só os meus sentires abundantes ou não sentires recorrentes. Algo mais empoderador do que o de costume.

ensaio novo #1

Vou te dizer: acho que errei na forma. Não me encontrei ainda nas entrelinhas. Pois faz sentido, nem fazê-las eu sei. Tenho a impressão de que errei na escolha das palavras. Ou me ative demais a um grupo seleto delas. Pois faz sentido, não sou dicionário ambulante… Reinventar-me. É disso que eu preciso para ontem. Recriar-me… Olha que está difícil. O Mundo tem me indisposto demais. Cheguei a um ponto no qual meu corpo está prestes a pedir a conta. Anda de birra comigo. Quiçá, queira mesmo é que eu o despeça. Pode ser. Continuando… Difícil. Amarga e seca. Intransigente. Inquieta. Lúcida. Meus últimos escritos parecem não mais dar corpo aos meus demônios… Essa coisa que é viver tem me impossibilitado de viver. Se não escrevo, estou morta. Ora, sobrevivo. Ora, persisto. É cruel o fardo. Eu, nada. Confusa.

ânsia

E hoje, repetindo Bataille “Sinto-me livre para fracassar”

Amavisse. Hilda Hilst.

Só de pensar que amanhã é meu aniversário, essa náusea física e indigestão do mundo atacam meus órgãos e algo sobe-me a goela. Desconforto gástrico. O mal-estar repugnante e constante que domina as partes do corpo. Como se borboletas velhas e bêbadas habitassem meu estômago.

desafia

Acordei, há alguns dias, com as dores do Mundo confinadas no âmago. Tais que desafiam a Física e surgem em espaços inexistentes. Encaixam-se em loci que eu mesma me aperto dentro de mim. A disputa se acirra. Pois bem, não me atrevo a escrever sobre o Mundo que não pertenço. Nas minhas Confissões, eu mal me encaixo, dirá o Mundo.