Monthly Archives: February 2016

amar, amor. {da confusão}

_ rascunho de um dia que eu me peguei pensando no que seria o Amor. fiquei ainda mais confusa. não sou boa com os sentires que não sinto.

Eu nunca pensei que escreveria sobre o amor. Sempre achei que escrever sobre isto estava além das minhas aptidões. Para além das minhas vivências. E, de fato, está. Digo por aí convicta da minha relacionamentofobia. Desacreditada totalmente no amor. Ou talvez não. Porém, a noite e o vinho estão me conduzindo ao inebriante pensamento de como é o Amor. Não os relacionamentos, o Amor.

Quem seria o Amor? Será que existe mesmo ou é o romantismo misógino manipulando até o que, em tese, se sente? Às vezes, acho que essa concepção romantizada do Amor atrasa nosso amor próprio. Sempre, para ser sincera. Como, então, encontrar a plenitude do amor se não sentimos tal grandiosidade por nós mesmas?… Ainda não me acertei comigo mesma, como então amar o desconhecido? E mesmo que conhecido como saber então que se ama?

Que coisa é o Amor. Amar, amor. Cadê? Existe?

Perguntas sem nexo. Palavras jogadas… É assim confuso quando se escreve sobre o que não é tangível. Sobre o que dá medo. Complexidades.

No limite, talvez eu saiba algo sobre o amor: mais da metade dxs apaixonadxs de plantão não sabem o que ele é. Como pode o Amor ser isto? Relacionamentos abusivos nos quais pessoas se tornam propriedades de acesso privado. Como o Amor pode ser assim tão incongruente? O Amor não se presta por gênero, pelo menos não na minha idealização. De qualquer forma, também recuso-me a acreditar que o Amor só sirva para datas comemorativas ou audiência das comédias românticas… Esse falso Amor do capitalismo. A construção perfeita para continuar oprimindo. Nada mais hipócrita.

Confesso que nunca tive um amor. Talvez, rascunhos do que poderia ser, mas também nenhum que valha a pena mencionar. Nestas relações forjadas, é sempre tudo tão intenso e avassalador que, na minha cabeça, não poderiam ser o Amor. Na certeza de que se me perco de mim, então não me completa. Porém, deve ser o Amor algo que nos complete ou que nos reafirme? Ou, então, algo que nos reinvente?

São tantas perguntas sem respostas. Tanto ciúmes e enchentes nos transbordando em vão. Matando uma a uma de nós.

Mas, também, poderia o amor ser leve e sutil e ainda assim ser único? Ou é medíocre a ponto de entendermos e sentirmos e desfrutarmos ordinariamente? Sem singularidade.

O amor é multifacetado.

 

dos meus ritos {adeus, 2015}

Eu sei que estou atrasada, para variar.

A verdade é que eu precisava sentir o adeus de Dois Mil e Crise para seguir adiante.

Por meses, fechei os olhos para a vida. Larguei as rédeas e esforcei-me para não lembrar do paradeiro. Segui o roteiro que me fora dado. Fui alguém que queriam que eu fosse. Eu não sou. Padecer então era tudo que eu poderia viver. Achei que nunca mais necessitaria abrir os olhos de novo. Caso contrário, significaria, no limite, aceitar e encarar o “realmente”. Achei que nunca estaria preparada para dizer adeus. Não sou boa com despedidas.

Foi vendaval. Violento. O canto triste das aves. O ritual que o corpo clamava há dias – uma dor nas costas se instalou e denunciou que já estava na hora. Minha mente, todavia, fez de tudo para protelar esse acontecimento. Inocente, fechei os olhos. Uma ventania me tirou o ar. Fui obrigada a, lentamente, deixá-los abertos. Desengasguei-me. No escuro do quarto. Onde as lágrimas se camuflam no rosto. E os inchaços não são vistos. No único lugar que fotos podem ser rasgadas e objetos se quebram. E o silêncio impera… Na cerimônia em que nos ultrapassamos e rompemos com o Mundo antes dado. Crise. Episódio.

Renasço assim da simbiose quase perfeita de quem eu fui mas, principalmente, das possibilidades de quem serei. Fênix.