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de afrodite até seth

Vez ou outra, registrei nos autos – quase como uma súplica – que queria fogo, que queria quente. Posto isso, digo, portanto, que já sou Vermelho. Já não espero que a vida sane meus anseios ou que realize meus desejos. Eu já faço o fogo. Já moldo com minhas próprias mãos o quente.

                Mesmo distinguindo-se por nomes e tons – indo do espectral carmim até o cádmio quase laranja, passando len-ta-men-te pelo CA-LOU-RO-SO escarlate –, meu vermelho de 14 e Novo é apenas um: qualquer que seja, desde que demarque o recomeço. Do Mundo, quero e sinto cada tudo pioneiro, quero-me primeira e nova naquilo que chamo de minha vida. Quero VER MELHOr.

                Porque vermelho é magia da fênix que revive cada vez que se falece em cinzas. É poder. É a invencibilidade composta ainda por uma mistura de  proteção, força e intimidação. Além do mais, vermelho significa “cor mais viva” e fica bem ali no limite do espectro. Sendo que neste, não deriva de ninguém, é cor primária, é a onda mais longa. É a primeira cor a ser percebida.

                É a cor de Dionísio, de Ares… Mas, principalmente, de Afrodite. É da cor do sangue, representante da carne que seduz, que encoraja, que pro-vo-ca, que proíbe. É a sensualidade que inquieta. É do tom do batom vermelho tônico, cálido, ácido… Aumentando a pulsação. Expondo o instinto. É, sem dúvidas, indecente, imoral… Diga-me, qual a graça neste Mundo senão ser ímpar? Ou, ao menos, se sentir ímpar. Estar ímpar.

                Confesso que nada me faz tão bem quanto o gosto de um vermelho de paixão nos lábios. O vermelho da caçada, da chama inconfundível dos mistérios da vida. Estes que, bem como o escarlate, são ambíguos e duos. É exatamente a chama que queima de amor e ira. O “Boa sorte” caminhando lado a lado com Seth – representante da desordem, do ciúme e do controle.

                Sou de todos os tons, de todos os jeitos. Sou da cor da revolução. Sou da cor de Marte. Sou da cor do inflamável apaixonante. Sou da cor do coração e do ateu. Sou, ainda, da cor do álcool que desce queimando a gar-gan-ta. Sou a cereja do-ci-nha. Sou. Sol.

PS: Se não fosse a Babs, esse texto nem existiria. Já que a ideia de escrever sobre a minha nova política e única meta para 2014 foi dela. Obrigada, dear.

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vira a página. próximo capítulo.

Você que parece uma marreta martelando minha alma. Que perfurou aquele meu muro que antes era impenetrável e de chumbo, mas que agora venta aqui do outro lado.

Você que entrou sem bater. Que fez um furo, entrou e saiu do meu mundinho e se esqueceu de arrumá-lo, entretanto, resolveu apenas passar um repelente contra terceiros, contra os meus possíveis outros amores. Que trancou minha porta em um para sempre que só acaba quando eu quiser. Que, não obstante, deu-me dores, deixou suas próprias comigo e disse Adeus. Que não disse adeus.

Você que eu não sei ao certo se continua me ganhando ou se me perdeu algum dia sem eu ver, sem eu saber.

Você que fez eu me perder na vida, nesse mar de gente. Que me fez perder a vontade de gente, o conforto de estar por entre as gentes. Você que é ainda aquela memória contraditória que me deixa um sorriso molhado sempre que surge. Sempre que paira. Sempre que acena.

Você que me trás sensações e olhares de um sentimento tão longínquo do qual não me lembro mais. No entanto, continua a dor, as palavras, cada toque, cada beijo, cada teu.

Você que me faz procurar você em cada pessoa que conheço e que não é você. Você que não me de me deixa em paz. Você que às vezes aparece e some e some. Você que eu não canso de lembrar. Você que me fez amar parando de amar. Você que deixou tudo de pernas para o ar. Você de quem eu não me lembro mais. Você que deveria me salvar, mas decidiu deixar comigo um mal-entendido e algumas contas para pagar. Você que não estava mais do que eu naquilo que nunca fomos.

Você que nunca existiu. Você que me faz tremer escrevendo sobre você. Você que eu também nunca amei e que de você nada sei. Você que sempre me fora ilegal, criminal.

Agora, não volte você que deveria ter ficado no passado.

Vira a página. Próxima chance. Próximo capítulo.

menos 13 e mais 14.

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Eu já tentei escrever esse texto várias vezes. O primeiro parágrafo já existiu de tantos jeitos, formas e apelos que eu poderia ter juntado todos eles e formado um corpo só. Sinto que essa minha dificuldade em escrevê-lo vem justamente por não ter tido um ano de 2013 emocionante, diferentemente daquele 2012 que pegou fogo, que foi paixão , que foi dor e desejo.  2013 tem tanto para contar, tantas sensações que só ficaram comigo, tanto amor que eu tinha pra dar e não dei, tanto tudo que os nadas eu deixei para lá. 2013 não me enlaçou, não me embriagou, mas me lapidou da melhor maneira possível, o que me faz pensar que ao passo que o tempo passa fico cada vez mais perto do meu eu-diamante. O texto que escrevo, portanto, destoará bastante do seu propósito, uma vez que todos os textos que eu quis escrever durante esse ano (e que não escrevi!) se encaixarão aqui e colocarão à prova todos os porquês, tudo que não deveria ter sido e o será.

O meu único desejo em relação ao ano que passou era o de alcançar o Estado de Ouro na expectativa de que 2012 fosse superado – em todos os sentidos que a palavra me permite. Meu suspiro era para que 2013 fosse ainda mais vermelho de fogo e paixão, mais intenso, menos tenso, menos “ele”, mais eu. Queria  cura imediata para qualquer dor, angustia ou rancor. Queria um 2012 melhorado, arrumado, melhor pintado. Queria 2012 de volta com sua fragrância própria, com suas cores tinindo pra mim. Tal que fora o maior dos erros, a pior das definições do que deveria ter sido dourado e de ouro.

Quero 14 e novo, mas não de novo. Que o 13 e velho e o Dois Mil e Doce fiquem lá nos seus 365 dias e não tentem mais ultrapassá-los. Uma vez que para trás ficou o passado – por mais bonito que possa ter sido. Quero que fique lá, bem lá atrás compondo sua famosa música com aquele espectro de cores inimagináveis ornando o que se foi. Eu já não preciso disso tudo; na bem de todas as verdades, jamais precisei achando, ainda, que precisava.

Passei 2013 pensando e vazando e calculando e não-pensando e maquinando e fazendo. Porém, fazendo um concreto da vida. Tudo me foi bastante duro, vazio, pouco coeso e sem coerência. Faltou-me emoção, aquela pitada de paixão, altos e baixos, faltou você (e o por você), faltou sentir. No fundo eu ainda preciso de algo que supere 2012. Contudo, venha com calma – repito. Não quero mais que seja uma caça, não quero mais terra firme. Eu quero é mar. Amar. Mas, não quero flutuar, nem velejar: eu quero nadar de bruços olhando pro céu azul clarinho. Nadar pelos meus tudos e os nosso impossíveis nadas. Eu quero que nada seja palpável. Quero a intensidade e leveza da água. A onda. Os peixes. O mar calmo e rumoroso.

E, já bastou pra mim de jogo. Apostas. Previsão. Já se esgotou toda a minha mira, todo aquele meu olhar. Já não me liberta ter uma meta.  Já não quero mais  controlar e manipular e, depois, enfrentar. Que fique com a água da chuva que cai em terra a angústia do você que me fez mal. Deixa a dor reciclada e moída para a nossa próxima vida, para a nossa próxima tentativa. Pois quando eu disse mar, eu quis dizer um novo oceano infinito; não aquele mar finito que começa e termina em você, feito com as minhas velhas lágrimas e desespero. Deste eu espero que o destino tome conta. Não pode ter esse você naquilo que me será novo. Nenhum resquício de um você. Todavia, eu também não quero a plenitude leve que a sua memória me causa, mesmo ela sendo o melhor que há em mim. Deixa o você que me fez para lá, uma vez que 2012 nunca mais irá voltar. Pensar nisso me dá uma dor aflita, uma saudade palpita, algumas duvidas e espasmos e eu me contorço.

Eu divaguei tanto sobre você que está difícil imaginar esse 2014. Que comece par e termine impar. Que vista uma roupa no-vi-nha em folha. Que venha 2014 imprevisível. Inesquecível. Com copos cheios ou vazios. Que o batom vermelho fique e o resto se vá. Então vem para que eu me baste e um outro possível você me afague. Que não olhe para trás. Vem. Solicite-me. Estou aqui e vou até aí.