Monthly Archives: December 2014

sobre rupturas

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* enquanto mulher
** texto primeiro

Dentre todas as lutas que balizam a minha militância,  as que tangem ao combate às opressões me são as mais caras. Ora, sou mulher – portanto, tal constatação não deve ser espanto e muito menos simplória. Venho há um tempo ensaiando este relato, pois bem, sua escrita amadureceu tanto que agora se faz mais do que necessária.

Antes de qualquer questionamento, é preciso pontuar certos incômodos que permeiam este blog: sempre o tratei como um fórum privado bordado a escritas nostálgicas e um tanto melodramáticas sobre o que sinto; aqui mantive-me a salvo, podendo expor minhas angústias, mas, acima de qualquer outra coisa, podendo ser na vida real alguém forte, capaz e esclarecida como um homem. Pouco escrevi sobre política. Muito indaguei que “tenho dificuldade em escrever textos objetivos, gosto profundamente deste meu existencialismo individual e barato”. Assim, baseado nisso e na premissa maior dada por Fernando Pessoa (e que é subtítulo deste domínio): como posso eu não escrever sobre este Mundo abominável se tal me faz sentir suas dores e febres mais concretas e da maneira mais vil a todo o tempo?

Na verdade, a pergunta acima anda de mãos dadas (por vezes, atadas) com a lógica social da questão: como posso eu querer opinar sobre este mundo que me silencia? Afinal, sou mulher, logo, é posto para mim um mundo restrito ao supérfluo da estética, um mundo sobre meu cabelo, minha balança e – sobretudo – homens; não a política e o debate. Esse espaço, em sua totalidade,  é o exemplo mais sincero da internalização desta lógica. Já entendo a minha não-escrita.

Em cenário amplo, retive-me ao meu mundo mais intrínseco por nunca terem me ensinado que o Mundo lá fora é e pode ser meu também.  Dessa maneira, ao notar tamanha sutileza, vi que deveria escrever esse relato: é uma questão de vida ou morte, na qual, empoderar-me está na ordem do dia.

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