Monthly Archives: November 2014

distancias

*sobre o que eu acho que tenho sido, por isso, serei breve.

a cada passo que dou, sinto-me mais distante das pessoas ao meu redor. é um desconforto inimaginável estar por entre as gentes. porventura, tal sensação vêm do distanciamento – cada vez mais evidente – de mim mesma. o desconforto latente entre o que eu estou acostumada a ser e o sou. é como se, aquela minha metade, que certa vez se jogou do abismo, nunca tenha de fato ido embora… e, assim, tornou-me uma ilusão de mim mesma. amórfica. escala. volta. voltou?

paredes verdes

quarto

*ainda sobre o que se passa na hora, pela minha cabeça.

sinto como se as paredes do meu quarto me fagocitassem e sugassem todas as minhas energias. é como se o mundo lá fora tanto não exista que eu posso me dar ao luxo de não estar e apenas me reter ao ser. ainda que pensando no mundo lá fora. sou eu, quatro paredes verdes e empasteladas, uma luz amarelada, algum som ao fundo e a cama. às vezes, uma pausa no meio disso tudo onde os olhos correm sem ter para onde correr. na angustia que se instala, transbordo-me. delírio. sucumbo. perco-me sozinha. a dialética do mundo me incomoda, como pode o Mundo ser isso e o meu mundo tão… pequenino e independente do Mundo, mesmo estando nele? preciso não estar.

sobre a mesa

* tenho três textos para digitalizar, mas não são tão importantes como este, uma vez que nasce agora, da angustia e melancolia, da tinta fresca.

normalmente, sobre a minha mesa, encontra-se sempre uma xícara cheia de café frio. e, apenas. creio que isso diz muito sobre mim, sobre minha rotina; bem como os livros que se edificam nas prateleiras. ainda assim, não consigo compor uma linha que indique quem sou eu. acostumei a nunca falar de mim mesma, deixo que criem suas próprias imagens, mesmo que corrompidas. eu poderia ser qualquer coisa. eu posso ser qualquer coisa. dessa forma, finalizo angustiada – sem conseguir ingerir um gole de café quente, com a garganta sentido nós cada vez mais firmes – por não saber quem ela é… e pelo silêncio também nunca ter me dito.