Monthly Archives: July 2012

saudade de chumbo

“De repente toda a mágica se acabou…” (Fernando Anitelli)

                E então aperta e afrouxa. Dói e faz cócegas. É riso incerto, é risada rasgada… Que ainda mais energia gasta. É química: há fatores que desestabilizam, assim como sincronia e razão na sua tendência – ou formam-se reagentes ou produtos. Desencadeia um mecanismo. Às vezes é difícil explicar o motivo ou a teoria, mas sabe-se que existe. Acontece. E sabe-se, apenas.

                Uma bela e majestosa reação. Talvez não tão apreciada – já que implica na falta -, contudo, necessária. Tal que se não existisse, não haveria aquele ditado que diz “só damos valor quando perdemos”… Lamento pelo destino. Dolorosa, intrigante e brasileira: a saudade.

O peito parece que explodirá. Os olhos insistem em ficar abertos. A boca clama por algo a mais. A mente desfalece e parte e dança e pula e chora. As mãos se tocam a fim de se completarem, mas nem assim. A respiração pesa. Os ombros se robustecem. No entanto, nada tece. E vociferam todos uniformemente em saudade.

                 O sono e o sonho: escassos. Não há sono; quando há, sonhos perturbam. Não há sono. Nem sonhos. Nem valsa.

                Sinos tocam e ecoam. E te chamam para um recomeço. Mas o barulho incomoda. “Fuja”. Nada será igual, nada poderá retornar-se a novo, ímpar ou singular. E nada cicatriza por completo: o dissabor se instala. E a dor passa. Todavia, saudade fica.

sem saber amar

society

“Lies I’ve got to get rid of this hole inside” (The Verve)

Ouço dizer que as pessoas amam. Mas, será? Será mesmo que surge nelas uma chama? Será mesmo que elas sentem do nada como um estalo? Ou é apenas a necessidade da existência de algo que transcenda aos limites do palpável para que assim o ser humano possa viver bem consigo?
Amor? Que história é essa? Não vejo amor, vejo comodidade. Não tem como você amar alguém à primeira vista. AMAR? E isso é verbo? E isso existe para se estar nos dicionários? E será que é sincero? Ou as pessoas se sentem bem em disseminar ‘eu te amo’ pelo mundo? Talvez seja porque é bonito amar. Talvez porque prove algo dizer as três palavras. Não entendo. Queria perguntar ao primeiro que instituiu esse termo na sociedade para que ele me explicasse a origem e os porquês e como ele acha que esse tal de amor funciona… Pois, se é bem maior, por que dizem às avessas e saem dizendo sem se importar? Palavras ao vento.
Não, não sabem sentir, não sabem amar. Não sabem o que é o amor. E ninguém há de saber, haja vista que não se pode explicar um termo que não existe e não tem significado. Posto que se soubessem não banalizariam: porque prezariam. Ou seja, além de tudo, não prezam. E machucam, já que há aqueles que prezam e que sentem e que amam – ou que pelo menos tentam e acreditam que podem e que existe. Mas que acabam desacreditando no Amor pelo simples fato da existência daqueles que não acreditam. No fundo, estão todos que nem rochas. Fingindo sentimentos em prol da angústia capitalista do consumo nas datas que lhes bem convém. Da angústia humana em precisar de outra pessoa, como se houvesse mesmo toda aquela balela de “metade da laranja”, “tampa da panela” e “meant to be”… Mas será que é naturalmente humana?
E amam no dia dos Pais, das Mães e dos Namorados. No Natal e no Ano Novo. E nos aniversários. Na Páscoa. E durante os romances hollywoodianos. E, só.