Monthly Archives: October 2016

da ausência

susto. acordo. aquele pesadelo. algo entre realidade e imaginação. relembro. contorço. sempre escuro. sempre em fuga. nas madrugadas, sempre estou correndo de algo. esconde-esconde. medo. pavor. então eu levanto da cama. tento a vida. sobrevivo. três horas depois, um cansaço toma todo o meu corpo. não é cansaço. sabotando a mente. não me movo, ainda que uma fugitiva ávida da própria vida. arrastada. dolorida. sem sentir. lacuna infinita. ausente de mim mesma. encarcerada no corpo.

de tempos em tempos, algo se move dentro de mim. choro. no segundo seguinte, nada para além do que os olhos enxergam. um bolo engasga na garganta. prestes a explodir. recua. o coração desacelera. engulo o grito. não me movo, contemplo o nada. como se apenas isso bastasse. eu fujo de mim. ainda que o mundo continue girando.

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da indiferença

vinde em mim agora que estou despreocupada comigo. karina buhr.

estou ficando para trás no curso da própria vida. ela anda. tem andado aos poucos. ajeitou-se aqui e acolá. em frente tem seguido. eu não tenho acompanhado, no entanto. imobilizada. talvez o peso da existência seja fator determinante na apatia. os passos arrastados que levam a vida adiante, cansam a alma. aos poucos. indiferente aos acontecimentos. um eterno transe existencial. não recordo da última vez que comemorei algo. as vitórias acumuladas em um canto. penduradas. esperando.