Monthly Archives: September 2013

proêmio

house8season

Nada mudou. Até dar certo, nada muda. E, para mim, nada mudará.

Talvez seja de mudanças que eu queira falar. Talvez, dissertar sobre meus jogos, apostas e ganhos com odor de perda. Por outro lado, eu queira talvez apontar meus tão intrínsecos defeitos e em como eles repercutem pela vida. Na verdade, eu não sei direito sobre o que meus dedos insistem em tentar escrever ou pelo que minha alma almeja expor. Pensando bem, parece-me que é o coração batendo que calado há tempo quer falar. E, se for este, teremos um problema de caráter maquinário, não lubrificado, extremamente gago, tímido e medroso desconfiado.

Às vezes, perco-me pensando se o que eu realmente quero é que tudo se vá, que nada fique, que acabem. E, por esses tudos e nadas, entenda relacionamentos. Em outras tantas vezes mais, acho bobagem, porque o que eu gosto tem gosto de liberdade. Aquele sentimento de prisão e amarras me atormenta. Ou, talvez, essa contradição não exista e é tudo auto-proteção. Quiçá, essa relacionamentofobia seja de fachada e levantada como um muro infinito feito de chumbo; um paredão inabalável… Que me prende. Não. Ponto final, pula a linha, novo parágrafo. Não. Troca por um travessão. É, não combina. Outro capítulo, outro livro… Respira. Perdi-me. No final das contas nada disso vai importar, não mudará em nada o teor e constância de você nas linhas que escrevo.

Pode ser que seja disso que meu coração queira falar, na verdade, reclamar seria mais correto. É de você e dessa reação que você causa nele. Da não mudança que houve. Da continuidade de uma dor invencível que anda por aí, no entanto, quando volta sempre volta-me um tapa, sempre trás consigo um terremoto e algumas novas rachaduras; quiçá daqui a pouco meu muro não aguenta e desaba. E você vence. E eu perco. E eu ganho de novo por WO.

Nem meu peito está aguentando mais e, veja bem, minha carne é daquelas fortes. Meus olhos de caçadora não querem mais ser assim, a sensação de lágrimas tem causado certa instabilidade até neles – que não choram em público. Nem minha maquiagem do cotidiano quer se fixar nessas feições que você me produz… E eu achando que já havia te deixado sair, que você já havia saído e ido embora, já que eu nem do seu beijo me recordo, quem dirá do seu jeito, de você. Porventura, meu cérebro tenha se esquecido, mas esse coração desgastado preferiu te guardar só pra ele. Santíssima contradição.