Tag Archives: vida

do minuto

acordar. café. carro. reunião. carro. almoço. reunião… um amigo do passado… mesa. cigarro… a rotina me engoliu. o dia enrijecendo cada vez mais. subitamente, uma avalanche tomou meu corpo. um incomodo tão imediato. fisgada de dor, daquelas que a dúvida da lágrima paira na mente. então, passou… mesa. carro. av paulista… outra pessoa do passado… não senti nada ruim. às vezes o passado não desperta apenas lembrança intragável… sorri. carro. casa. moletom. netflix.

não ando densa. ainda que a vista continue pesada e os olhos se apertem. ainda que por dentro seja tudo tão imensamente hermético. posso dizer que não sinto com frequência. sinto e deixo de sentir. tão imediatamente quanto piscar os olhos. tão rápido e ao mesmo tempo aterrorizante, que a respiração falha… e a incerteza oscilante: apatia ou vivacidade?

Advertisements

das escolhas

eu não fui inclusa. entendi que o Mundo que me rodeia vem cortando nossos laços há tempos. às vezes, parece que ninguém ficou. questiono se alguma vez alguém esteve. realizei que não tenho mais espaço nas vidas, inclusive na minha. resolvi que preciso de mais espaço. chamar de meu. eu. singular.

gostaria de ter rompido com o Mundo antes que ele o fizesse. assim, talvez, doesse menos. fosse tristeza controlada. agora, pairo em tentativas vermelhas de controlar o incontrolável em um contante movimento de endurecer. finalmente, alguém tomou esta decisão por mim: devo ser muralha. romper nunca pareceu tão difícil.

de hoje

eu não sei dizer ao certo o que eu senti. só tenho a completa certeza de que era triste e angustiante. um pouco sufocante também. às vezes chega a doer um pouco. na verdade, sinto o coração parar e voltar. ou mesmo queimar. as mulheres que me habitam também não me dão um tempo, cada uma me diz uma coisa… elas são tão diferentes que viro claustrofóbica dentro de mim mesma. uma avalanche de sentimentos contraditórios me ataca. dos meus devaneios sobre tratar um amigo como um mero colega.

a vida é feita de escolhas.

ninguém nunca disse que elas seriam fáceis.

ninguém nunca disse que elas seriam suas.

TAG: 25 fatos literários sobre mim

Hoje, a postagem será bem diferente do que as de costume: eu finalmente vou responder alguma TAG que me indicaram (obrigada pela indicação, Mayara) . Eu adoro TAGs, sempre leio quando aparecem no Leitor ou quando me indicam, mas eu sou relapsa demais para conseguir responder alguma e às vezes lembrar delas. Além disso, sempre penso no meu conteúdo geral e se TAGs não vão destoar. Enfim, resolvi dar uma chance. Espero que vocês curtam essas minhas confissões mais concretas que, de alguma forma, relacionam-se com os meus sentires abundantes e a forma como me expresso.

I. Nos últimos anos, tenho tido problemas em me concentrar, logo, tenho lido muito menos do que eu estava acostumada.

II. Eu não tenho religião, mas o Livro do Desassossego do Fernando Pessoa é a minha Bíblia. Vira e mexe eu abro ele em qualquer página e não tem uma só vez que eu não me sinta completamente contemplada.

III. Eu adoro as peças de Tchekhov. Minha primeira experiência com seu material foi com “O Jardim das Cerejeiras” em um passado muito longínquo, pois era uma das leituras obrigatórias para a prova do Célia Helena (sim, eu já pensei em fazer Teatro!)

IV. O livro que eu mais gostei da lista da FUVEST foi “A cidade e as Serras” do Eça de Queirós.

V. Minha coleção, hoje, tem um pouco mais de 200 títulos. O sonho é ter uma baita biblioteca.

VI. Minha meta na vida é ter a coleção completa da Hilda Hilst. Sim, ela é a minha escritora brasileira preferida.

VII. Na verdade, Clarice Lispector e Cecilia Meireles estão no topo da minha lista de favoritos junto com a Hilda.

VIII. “Um sopro de Vida” é meu livro predileto da Clarice.

IX. Eu não sou muito fã de poesia. Não sei, não me prende. Mas obviamente existem exceções como Cecília Meireles e Drummond (até a própria Hilda!)

X. Eu finalmente consegui terminar de ler “Rua de Mão Única” do Walter Benjamin. Só que não consegui até agora contar para ninguém que eu não curti muito. (é uma vergonha isso, eu sei!)

XI. Às vezes, eu re-leio a Poética  (Aristóteles).

XII. Eu posso não discutir política neste blog, mas boa parte dos meus livros são relacionados a política e antropologia. De livros que falam mais sobre determinada conjuntura até os de teoria.

XIII. Quase certeza de que metade destes livros sobre Política são sobre mulheres, feminismo e empoderamento.

XIV. Sou fã de Harry Potter e tenho a maioria dos livros publicados em português e alguns em inglês (essas versões de aniversário, capa dura, com ilustrações… adoro!).

XV. Todo ano eu faço maratona de Harry Potter: re-leio todos os livros da saga.

XVI. Desde 2011, este foi o primeiro carnaval que eu não li “O Nome da Rosa” (Umberto Eco). Eu tenho algumas tradições que envolvem meus queridos livros!

XVII. Li “A Redoma de Vidro” da Sylvia Plath três vezes em menos de um ano.

XVIII. Uma das citações que mais me marcaram e se tornaram inesquecíveis na minha memória veio de “Amor de Salvação” do Camilo Castelo Branco: “Que a saudade é ainda um afeto, excelso amor, o melhor amor e o mais incorruptível que o passado nos herda”.

XIX. Eu tenho o habito de escrever partes de livros nas paredes do meu quarto ou em post its.

XX. Não sou fã de Nietzsche, mas tenho alguns livros porque eu gosto da forma da escrita. Ecce Homo é o meu preferido dele.

XXI. Às vezes, eu compro o livro pela capa. Principalmente os livros de bolso, aqueles estandes são como imãs. Eu simplesmente não consigo me controlar.

XXII. Tenho muita dificuldade em ler livros em PDF ou no Kindle. Sou old fashioned e gosto de ter o livro em papel impresso na minha mão.

XXIII. Durante muito tempo levei minha vida como diria Bukowski em “Mulheres”: “That’s the problem with drinking, I thought, as I poured myself a drink. If something bad happens, you drink in an attempt to forget; if something good happens, you drink in order to celebrate; and if nothing happens, you drink to make something happen.”

XXIV. Não consigo ler um livro sem que eu tenha post-its, folhas de fichamento para alguma anotação e pop-up flags.

XXV. Ainda estou pegando o gosto pela leitura de Contos, principalmente, os de Crimes e Mistérios. Já que leio assiduamente dossiês e dossiês de Seriais Killers e assisto vários documentários… Então eu realmente não sei como eu não consigo terminar de ler um mísero conto.

Não vou indicar ninguém, mas sintam-se mais do que convidadxs a participar também. Quero saber mais de vocês!

amar, amor. {da confusão}

_ rascunho de um dia que eu me peguei pensando no que seria o Amor. fiquei ainda mais confusa. não sou boa com os sentires que não sinto.

Eu nunca pensei que escreveria sobre o amor. Sempre achei que escrever sobre isto estava além das minhas aptidões. Para além das minhas vivências. E, de fato, está. Digo por aí convicta da minha relacionamentofobia. Desacreditada totalmente no amor. Ou talvez não. Porém, a noite e o vinho estão me conduzindo ao inebriante pensamento de como é o Amor. Não os relacionamentos, o Amor.

Quem seria o Amor? Será que existe mesmo ou é o romantismo misógino manipulando até o que, em tese, se sente? Às vezes, acho que essa concepção romantizada do Amor atrasa nosso amor próprio. Sempre, para ser sincera. Como, então, encontrar a plenitude do amor se não sentimos tal grandiosidade por nós mesmas?… Ainda não me acertei comigo mesma, como então amar o desconhecido? E mesmo que conhecido como saber então que se ama?

Que coisa é o Amor. Amar, amor. Cadê? Existe?

Perguntas sem nexo. Palavras jogadas… É assim confuso quando se escreve sobre o que não é tangível. Sobre o que dá medo. Complexidades.

No limite, talvez eu saiba algo sobre o amor: mais da metade dxs apaixonadxs de plantão não sabem o que ele é. Como pode o Amor ser isto? Relacionamentos abusivos nos quais pessoas se tornam propriedades de acesso privado. Como o Amor pode ser assim tão incongruente? O Amor não se presta por gênero, pelo menos não na minha idealização. De qualquer forma, também recuso-me a acreditar que o Amor só sirva para datas comemorativas ou audiência das comédias românticas… Esse falso Amor do capitalismo. A construção perfeita para continuar oprimindo. Nada mais hipócrita.

Confesso que nunca tive um amor. Talvez, rascunhos do que poderia ser, mas também nenhum que valha a pena mencionar. Nestas relações forjadas, é sempre tudo tão intenso e avassalador que, na minha cabeça, não poderiam ser o Amor. Na certeza de que se me perco de mim, então não me completa. Porém, deve ser o Amor algo que nos complete ou que nos reafirme? Ou, então, algo que nos reinvente?

São tantas perguntas sem respostas. Tanto ciúmes e enchentes nos transbordando em vão. Matando uma a uma de nós.

Mas, também, poderia o amor ser leve e sutil e ainda assim ser único? Ou é medíocre a ponto de entendermos e sentirmos e desfrutarmos ordinariamente? Sem singularidade.

O amor é multifacetado.

 

dos meus ritos {adeus, 2015}

Eu sei que estou atrasada, para variar.

A verdade é que eu precisava sentir o adeus de Dois Mil e Crise para seguir adiante.

Por meses, fechei os olhos para a vida. Larguei as rédeas e esforcei-me para não lembrar do paradeiro. Segui o roteiro que me fora dado. Fui alguém que queriam que eu fosse. Eu não sou. Padecer então era tudo que eu poderia viver. Achei que nunca mais necessitaria abrir os olhos de novo. Caso contrário, significaria, no limite, aceitar e encarar o “realmente”. Achei que nunca estaria preparada para dizer adeus. Não sou boa com despedidas.

Foi vendaval. Violento. O canto triste das aves. O ritual que o corpo clamava há dias – uma dor nas costas se instalou e denunciou que já estava na hora. Minha mente, todavia, fez de tudo para protelar esse acontecimento. Inocente, fechei os olhos. Uma ventania me tirou o ar. Fui obrigada a, lentamente, deixá-los abertos. Desengasguei-me. No escuro do quarto. Onde as lágrimas se camuflam no rosto. E os inchaços não são vistos. No único lugar que fotos podem ser rasgadas e objetos se quebram. E o silêncio impera… Na cerimônia em que nos ultrapassamos e rompemos com o Mundo antes dado. Crise. Episódio.

Renasço assim da simbiose quase perfeita de quem eu fui mas, principalmente, das possibilidades de quem serei. Fênix.

festa do livro da USP

IMG_20151209_215124999

Há quatro anos, meu Natal costuma chegar um pouco mais cedo por causa da Festa do Livro da USP – que vai até Sexta-feira na Travessa C (aquela entre o CEPEUSP e o Bandejão Central na Cidade Universitária) e, como sempre, está com preços ótimos. Tendo isso em vista e toda a re-paginada que dei no blog essa semana, decidi que não faria mal compartilhar com vocês um pouco das minhas aquisições de hoje. Claro que não poderia faltar Hilda Hilst (um dia, quem sabe, ainda completo minha coleção de livros dela) e muito feminismo e marxismo.

Títulos da foto:

  1. Mulheres Trabalhadoras e  Marxismo – C. Carrasco e M. Petit (Ed. Sundermann)
  2. A Nova Mulher e a Moral Sexual – Alexandra Kollontai (Expressão Popular)
  3. Mulher, Estado e Revolução – Wendy Goldman (Ed Boitempo)
  4. Tu Não Te Moves de Ti – Hilda Hilst (Ed Globo)
  5. Rútilos – Hilda Hilst (Ed Globo)
  6. Rua de Mão Única – Walter Benjamin (Ed Autêntica)
  7. PORNOCHIC – Hilda Hilst (Ed Globo)

do sorriso

** de algum dia desses que não me culpei por sorrir.

Sorria. Perguntei o motivo. Permaneceu sorrindo como se não me ouvisse. Fitava-me deliciosamente. Sorria tanto que, em certo momento, eu poderia jurar que era capaz de contar todos os seus dentes. E me olhava. Incômodo. Era como se borboletas recém nascidas voassem no estômago fazendo-me cócegas. Contagiada fui pelo sorriso. Logo tentei não sorrir. Tentei conter. Tentei de tudo. Mas continuava me observando. Sequer piscava. Tentei desviar o olhar. Pois, assim, talvez, as borboletas se aquietassem. Insuficiente. Meu corpo fora tomado por esta figura sorridente. Espantei-me quando percebi meus músculos faciais dando contornos para a minha boca. Segui sorrindo. Incontrolável. Regozijo. Um excesso se formou na garganta feito um bolo de júbilo excêntrico e fluido. Faltou-me até ar… Naquele sorriso efusivo. Largo. Cheio de energia. Reluzente… Ao passo que tal alegria me invadia, nossa distancia aumentava. E aumentava. E aumentava… Anoiteceu. Desvaneceu.

inspirações #1

“Sim, minha força está na solidão.
Não tenho medo nem das chuvas tempestivas,
nem das grandes ventanias soltas,
pois eu também sou o escuro da noite.”

Clarice Lispector.

Depois que meu aniversário passa e o fim do ano começa a se aproximar e tomar mais contorno, tenho mania de revisitar todas as grandes mulheres da minha vida. Ou, também, descobrir um Mundo de mulheres contemporâneas, vivas. Quiçá, mania não seja a melhor palavras, “necessidade” acho que contempla mais meu estado de espírito.

Ano passado, estava enlouquecida atrás de séries de TV que colocassem mulheres como protagonistas. Nunca pensei tanto no papel que nós cumprimos na televisão.

Este ano, meu coração quer escritoras – as minhas grandes inspirações. Essa entrevista que Clarice concedeu para a TV Cultura em 1977 é fantástica e eu não paro de assistir desde Segunda-feira. Decidi, então, compartilhar aqui algo que não seja só os meus sentires abundantes ou não sentires recorrentes. Algo mais empoderador do que o de costume.

desafia

Acordei, há alguns dias, com as dores do Mundo confinadas no âmago. Tais que desafiam a Física e surgem em espaços inexistentes. Encaixam-se em loci que eu mesma me aperto dentro de mim. A disputa se acirra. Pois bem, não me atrevo a escrever sobre o Mundo que não pertenço. Nas minhas Confissões, eu mal me encaixo, dirá o Mundo.