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do faz tempo

ando desligada de mim, em uma espécie de abandono consciente.

Escrevi pouco no último mês. Refleti pouco no último mês. Esqueci de tudo aquilo que não se encaixou na rotina concreta. Discretamente, abandonei. Tudo. Todos. Abandonei a mim mesma. No limite, é dialética essa questão dos abandonos: o mundo veio me abandonando ou eu que fui abandonando o mundo. Ambos.

Fazia tempo que não acordava como hoje: sem conseguir ao menos levantar da cama. Havia esquecido o que era isso. Dificuldade infinita. Preciso levantar; ecoava em minha mente. Preciso levantar, escovar os dentes, tomar uma xícara de café. Por horas. Horas. Enfim levantei. A dor excruciante da alma então tomou as habilidades corporais. Paralisante. O corpo então pareceu entrar em slow motion.Os olhos não vislumbraram nada além. Apenas o choro de quem não aguenta mais existir.

Desconfortável dentro de mim mesma. Nessa montanha-russa incontrolável que me habita. Um dia por vez.

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do minuto

acordar. café. carro. reunião. carro. almoço. reunião… um amigo do passado… mesa. cigarro… a rotina me engoliu. o dia enrijecendo cada vez mais. subitamente, uma avalanche tomou meu corpo. um incomodo tão imediato. fisgada de dor, daquelas que a dúvida da lágrima paira na mente. então, passou… mesa. carro. av paulista… outra pessoa do passado… não senti nada ruim. às vezes o passado não desperta apenas lembrança intragável… sorri. carro. casa. moletom. netflix.

não ando densa. ainda que a vista continue pesada e os olhos se apertem. ainda que por dentro seja tudo tão imensamente hermético. posso dizer que não sinto com frequência. sinto e deixo de sentir. tão imediatamente quanto piscar os olhos. tão rápido e ao mesmo tempo aterrorizante, que a respiração falha… e a incerteza oscilante: apatia ou vivacidade?

do ______ vazio

_ ultimamente a mente tem colocado para o corpo a tarefa de resolver as emergências. o corpo realmente não sabe se aguenta mais. a mente se esforça para manter o maquinário funcionando. independente do dano para a alma.

Não sou. Não sei se algum dia fui. Se sou, sigo sendo nada. Um vazio que se instalou. Uma eterna lacuna em branco. Que é nada. Porém, sinto. Uma dor brutal da profundeza se espraia. Dor física. A cabeça não elabora… A guerra. O choro. Estatelada no chão. Por horas. Dirigindo. O choro. O corpo retorcido. Nada paira na mente. Vazia. Solitária. Apenas a dor. A mágoa. A vontade ensandecida de enlouquecer. Gritar. Respirar fundo. O pensamento centrado na dor física. Em “não aguento mais” repetidamente. Um, dois, três, quatro dias. Enrijecida de novo. A vida que continua. Nada muda. O baque de quando tudo muda rápido demais. Saiu da alçada. O corpo que quer desistir. O vácuo que a mente se torna. Vida. Rotina. Desconforto. Máquina. Concreto. Sozinha.

do fluxo

não sei como escrevo… o porquê é óbvio: escrevo para arrancar essa espécie de febre e dor dos sentires abundantes… sinto demais. ou, em boa parte do tempo, de menos – em escala: da ordem dos números negativos… escrevo a dor física. a dor dor. escrevo os concretos que se transformam em paranoias e desconforto.. os empecilhos da sobrevivência e sanidade. poucas vezes fui completamente subjetiva. ainda que a dor na alma seja, por definição, abstrata… o corpo sempre denuncia que não vou bem internamente, antes mesmo da mente alertar… a questão é que são raros os momentos que a febre de subjetividade adentra o corpo e consigo traduzi-la. mesmo que ela seja constante… mesmo me sentido complexa. mesmo quando me sinto nada. mesmo quando deliro… talvez, seja problemas de confiança… em mim mesma… comigo mesma… dentro de mim… porventura, vergonha não diagnosticada. e quando escrevo devaneios e confissões duras no caderno vermelho, nunca volto a ler. os tabus da minha vida… não sei. é só um fluxo de consciência que se instalou na cabeça. algumas palavras desconexas. apenas.

do bloqueio

_ não é verdade, tenho escrito bastante nos últimos dias. porém, o coração quando escreve às vezes demora um tempo para se acertar com a coerência.

Existe um eu em mim que sente prazer sádico em bloquear qualquer outra expansão do meu Eu. Sinto tal se contorcer de felicidade em saber que, por algum tempo, meus demônios estarão enjaulados. A apatia me faz pragmática. Assim, estava com dificuldade em escrever, já que, se o fizesse, sairiam de mim duras palavras lotadas de cimento e pólvora. E de nada adiantaria… Meu coração precisa escrever em metáforas para que se acalme. E meus demônios se libertem. E um golpe de ar fresco me acerte.

TAG: 25 fatos literários sobre mim

Hoje, a postagem será bem diferente do que as de costume: eu finalmente vou responder alguma TAG que me indicaram (obrigada pela indicação, Mayara) . Eu adoro TAGs, sempre leio quando aparecem no Leitor ou quando me indicam, mas eu sou relapsa demais para conseguir responder alguma e às vezes lembrar delas. Além disso, sempre penso no meu conteúdo geral e se TAGs não vão destoar. Enfim, resolvi dar uma chance. Espero que vocês curtam essas minhas confissões mais concretas que, de alguma forma, relacionam-se com os meus sentires abundantes e a forma como me expresso.

I. Nos últimos anos, tenho tido problemas em me concentrar, logo, tenho lido muito menos do que eu estava acostumada.

II. Eu não tenho religião, mas o Livro do Desassossego do Fernando Pessoa é a minha Bíblia. Vira e mexe eu abro ele em qualquer página e não tem uma só vez que eu não me sinta completamente contemplada.

III. Eu adoro as peças de Tchekhov. Minha primeira experiência com seu material foi com “O Jardim das Cerejeiras” em um passado muito longínquo, pois era uma das leituras obrigatórias para a prova do Célia Helena (sim, eu já pensei em fazer Teatro!)

IV. O livro que eu mais gostei da lista da FUVEST foi “A cidade e as Serras” do Eça de Queirós.

V. Minha coleção, hoje, tem um pouco mais de 200 títulos. O sonho é ter uma baita biblioteca.

VI. Minha meta na vida é ter a coleção completa da Hilda Hilst. Sim, ela é a minha escritora brasileira preferida.

VII. Na verdade, Clarice Lispector e Cecilia Meireles estão no topo da minha lista de favoritos junto com a Hilda.

VIII. “Um sopro de Vida” é meu livro predileto da Clarice.

IX. Eu não sou muito fã de poesia. Não sei, não me prende. Mas obviamente existem exceções como Cecília Meireles e Drummond (até a própria Hilda!)

X. Eu finalmente consegui terminar de ler “Rua de Mão Única” do Walter Benjamin. Só que não consegui até agora contar para ninguém que eu não curti muito. (é uma vergonha isso, eu sei!)

XI. Às vezes, eu re-leio a Poética  (Aristóteles).

XII. Eu posso não discutir política neste blog, mas boa parte dos meus livros são relacionados a política e antropologia. De livros que falam mais sobre determinada conjuntura até os de teoria.

XIII. Quase certeza de que metade destes livros sobre Política são sobre mulheres, feminismo e empoderamento.

XIV. Sou fã de Harry Potter e tenho a maioria dos livros publicados em português e alguns em inglês (essas versões de aniversário, capa dura, com ilustrações… adoro!).

XV. Todo ano eu faço maratona de Harry Potter: re-leio todos os livros da saga.

XVI. Desde 2011, este foi o primeiro carnaval que eu não li “O Nome da Rosa” (Umberto Eco). Eu tenho algumas tradições que envolvem meus queridos livros!

XVII. Li “A Redoma de Vidro” da Sylvia Plath três vezes em menos de um ano.

XVIII. Uma das citações que mais me marcaram e se tornaram inesquecíveis na minha memória veio de “Amor de Salvação” do Camilo Castelo Branco: “Que a saudade é ainda um afeto, excelso amor, o melhor amor e o mais incorruptível que o passado nos herda”.

XIX. Eu tenho o habito de escrever partes de livros nas paredes do meu quarto ou em post its.

XX. Não sou fã de Nietzsche, mas tenho alguns livros porque eu gosto da forma da escrita. Ecce Homo é o meu preferido dele.

XXI. Às vezes, eu compro o livro pela capa. Principalmente os livros de bolso, aqueles estandes são como imãs. Eu simplesmente não consigo me controlar.

XXII. Tenho muita dificuldade em ler livros em PDF ou no Kindle. Sou old fashioned e gosto de ter o livro em papel impresso na minha mão.

XXIII. Durante muito tempo levei minha vida como diria Bukowski em “Mulheres”: “That’s the problem with drinking, I thought, as I poured myself a drink. If something bad happens, you drink in an attempt to forget; if something good happens, you drink in order to celebrate; and if nothing happens, you drink to make something happen.”

XXIV. Não consigo ler um livro sem que eu tenha post-its, folhas de fichamento para alguma anotação e pop-up flags.

XXV. Ainda estou pegando o gosto pela leitura de Contos, principalmente, os de Crimes e Mistérios. Já que leio assiduamente dossiês e dossiês de Seriais Killers e assisto vários documentários… Então eu realmente não sei como eu não consigo terminar de ler um mísero conto.

Não vou indicar ninguém, mas sintam-se mais do que convidadxs a participar também. Quero saber mais de vocês!

dos meus ritos {adeus, 2015}

Eu sei que estou atrasada, para variar.

A verdade é que eu precisava sentir o adeus de Dois Mil e Crise para seguir adiante.

Por meses, fechei os olhos para a vida. Larguei as rédeas e esforcei-me para não lembrar do paradeiro. Segui o roteiro que me fora dado. Fui alguém que queriam que eu fosse. Eu não sou. Padecer então era tudo que eu poderia viver. Achei que nunca mais necessitaria abrir os olhos de novo. Caso contrário, significaria, no limite, aceitar e encarar o “realmente”. Achei que nunca estaria preparada para dizer adeus. Não sou boa com despedidas.

Foi vendaval. Violento. O canto triste das aves. O ritual que o corpo clamava há dias – uma dor nas costas se instalou e denunciou que já estava na hora. Minha mente, todavia, fez de tudo para protelar esse acontecimento. Inocente, fechei os olhos. Uma ventania me tirou o ar. Fui obrigada a, lentamente, deixá-los abertos. Desengasguei-me. No escuro do quarto. Onde as lágrimas se camuflam no rosto. E os inchaços não são vistos. No único lugar que fotos podem ser rasgadas e objetos se quebram. E o silêncio impera… Na cerimônia em que nos ultrapassamos e rompemos com o Mundo antes dado. Crise. Episódio.

Renasço assim da simbiose quase perfeita de quem eu fui mas, principalmente, das possibilidades de quem serei. Fênix.

festa do livro da USP

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Há quatro anos, meu Natal costuma chegar um pouco mais cedo por causa da Festa do Livro da USP – que vai até Sexta-feira na Travessa C (aquela entre o CEPEUSP e o Bandejão Central na Cidade Universitária) e, como sempre, está com preços ótimos. Tendo isso em vista e toda a re-paginada que dei no blog essa semana, decidi que não faria mal compartilhar com vocês um pouco das minhas aquisições de hoje. Claro que não poderia faltar Hilda Hilst (um dia, quem sabe, ainda completo minha coleção de livros dela) e muito feminismo e marxismo.

Títulos da foto:

  1. Mulheres Trabalhadoras e  Marxismo – C. Carrasco e M. Petit (Ed. Sundermann)
  2. A Nova Mulher e a Moral Sexual – Alexandra Kollontai (Expressão Popular)
  3. Mulher, Estado e Revolução – Wendy Goldman (Ed Boitempo)
  4. Tu Não Te Moves de Ti – Hilda Hilst (Ed Globo)
  5. Rútilos – Hilda Hilst (Ed Globo)
  6. Rua de Mão Única – Walter Benjamin (Ed Autêntica)
  7. PORNOCHIC – Hilda Hilst (Ed Globo)