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do faz tempo

ando desligada de mim, em uma espécie de abandono consciente.

Escrevi pouco no último mês. Refleti pouco no último mês. Esqueci de tudo aquilo que não se encaixou na rotina concreta. Discretamente, abandonei. Tudo. Todos. Abandonei a mim mesma. No limite, é dialética essa questão dos abandonos: o mundo veio me abandonando ou eu que fui abandonando o mundo. Ambos.

Fazia tempo que não acordava como hoje: sem conseguir ao menos levantar da cama. Havia esquecido o que era isso. Dificuldade infinita. Preciso levantar; ecoava em minha mente. Preciso levantar, escovar os dentes, tomar uma xícara de café. Por horas. Horas. Enfim levantei. A dor excruciante da alma então tomou as habilidades corporais. Paralisante. O corpo então pareceu entrar em slow motion.Os olhos não vislumbraram nada além. Apenas o choro de quem não aguenta mais existir.

Desconfortável dentro de mim mesma. Nessa montanha-russa incontrolável que me habita. Um dia por vez.

do ______ vazio

_ ultimamente a mente tem colocado para o corpo a tarefa de resolver as emergências. o corpo realmente não sabe se aguenta mais. a mente se esforça para manter o maquinário funcionando. independente do dano para a alma.

Não sou. Não sei se algum dia fui. Se sou, sigo sendo nada. Um vazio que se instalou. Uma eterna lacuna em branco. Que é nada. Porém, sinto. Uma dor brutal da profundeza se espraia. Dor física. A cabeça não elabora… A guerra. O choro. Estatelada no chão. Por horas. Dirigindo. O choro. O corpo retorcido. Nada paira na mente. Vazia. Solitária. Apenas a dor. A mágoa. A vontade ensandecida de enlouquecer. Gritar. Respirar fundo. O pensamento centrado na dor física. Em “não aguento mais” repetidamente. Um, dois, três, quatro dias. Enrijecida de novo. A vida que continua. Nada muda. O baque de quando tudo muda rápido demais. Saiu da alçada. O corpo que quer desistir. O vácuo que a mente se torna. Vida. Rotina. Desconforto. Máquina. Concreto. Sozinha.