do existir

Acordei amarga e pesada. A melancolia veio passar uma temporada em casa, nesse seu movimento constante de ir e voltar. Às vezes, até de permanecer.

Os olhos mantém-se no meio termo do aberto e do fechado. A boca apenas esboça aquela retração insatisfeita. O rosto expressa a dor que a alma e o corpo partilham. O corpo e a alma em simbiose. Parece-me que às vezes minhas feições cansaram de interpretar. Cansaram do descompasso com a alma. Esforço. A mente me suga e, aos poucos, destrói-me.

Sempre à deriva na própria existência, padeço. Na beira do abismo que separa o eu dos meus ninguéns, o silêncio dos meus nadas… Sou nada, no final das contas. Na bem das verdades, toda essa farsa de existir e viver e sobreviver é um grande emaranhado de nadas. Vivemos no nada e apenas abaixamos a cabeça complacentes a isto. Pego-me pensando amiúde neste enorme nada. Debalde. Ainda, é como se arrancassem à sangue frio, dia após dia, os restos de humanidade que me sobraram na alma.

 

Advertisements

3 thoughts on “do existir

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s