Resistência.

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O cabelo sempre fora uma maneira de expressão máxima do meu eu – até a instabilidade intrínseca da alma é denunciada pelas mudanças constantes que promovo no topo da minha cabeça. Desde 2013, permaneço com cortes que não ultrapassam meu queixo. Há uma semana, adotei o curto da foto. Curtíssimo. A liberdade da nuca não é apenas a liberdade da nuca. É, decerto, a libertação de uma das algemas que me mantém sob opressão constante. No entanto, ao mesmo tempo, não é liberdade de nada, posto que teimam em delimitar o que devo ou não fazer com o cabelo e corpo. Essa relação dialética me atormenta a cada olhada no espelho. Todos os dias pelas ruas.

Olho no espelho e… Espetacular! Outros momentos, a auto-estima se esgota e culpo todos esses pequenos fios pela aparência menos “feminina” que minha mente constrói.

Velada. Oprime-me. Pego-me resistindo, então. Emancipando-me. Fortalecendo.

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5 thoughts on “Resistência.

    1. hello. eu sempre aconselho as pessoas a fazerem o que se sentirem bem com seus cabelos. eu tneho meus momentos de insatisfação com o cabelinho, mas na maior parte do tempo me sinto bem ótima, é muito libertador. uso cabelo curto desde março de 2013 e nunca mais deixei crescer rs enfim, vem ser diva do cabelo curto, querida :} bjs

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  1. Você curtiu um conto meu e vim parar nesse seu blog maravilhoso!
    No final de 2014 quis raspar minha cabeça, mas minha mãe ameaçou me expulsar de casa aos gritos, me acusando de rebeldia. Desisti.
    No final de 2015 tentei mais uma vez e ela novamente me acusou de ser rebelde e gostar de fazê-la sofrer, de não respeitá-la. Acabei desistindo mais uma vez. Pra falar a verdade, desanimei. Jurei pra mim mesma que arranjaria um emprego pra ir embora daqui, mas está muito difícil encontrar um… Desisti disso também.
    Estou presa ao que minha mãe pensa sobre mim e ao que ela acha que devo fazer com meu próprio corpo. Tenho 26 anos e nenhuma perspectiva de independência.
    Eu queria raspar a cabeça justamente para me libertar um pouquinho mais das correntes da feminilidade. Percebi que minha própria desconstrução não serve pra muita coisa quando ainda estou presa a pessoas que preferem manter o status quo.
    Lendo seu texto fiquei feliz por você. Entendo bem o significado de um corte de cabelo e te admiro por insistir apesar dos momentos em que a auto-estima se esgota.

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    1. Olá! Obrigada pela força e elogio ao blog, além, claro, por compartilhar sua história comigo! Ainda estou sem palavras, mas o que posso te dizer é que o processo de fazer o outro nos aceitar e romper com essas amarras é realmente difícil, aqui em casa também não foi fácil, até hoje recebo comentários do tipo “mas você ficava tão bonita de cabelo comprido”. Toda a força e energias gracinhas. Estou torcendo para que as coisas comecem a vingar por aí e sua independência chegue. Não desista! Beijos! aka: adorei seu blog também.

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