desatinos #4

A passividade tem assolado os dias. Os ciclos de reclusões têm me colocado inerte frente aos anseios da mente. A companhia da Solidão já não atordoa mais: acostumei a ela da mesma maneira que nos acostumamos com o estranho que passa a conviver conosco; tornou-se habito tê-la por perto sem sentir o incômodo da alma.

Se algum dia vi no Mundo matizes colorida-cintilantes e percebi fragrâncias indescritíveis, daquelas que nos fingem sorrisos; hoje, opaco é a única nuance que constato no espectro do Mundo. Este que passa pelos meus olhos em câmera lenta e sem harmonia… Em uma constância disparada de eventos.

“Uma cópia, de uma cópia, de uma cópia”. Cenas. Pessoas. Ato.

A carência de sentido para as coisas da Vida tem me travado: coloco-me distante do todo e, consequentemente, o todo me isola. Acenou com impasses; ainda que tudo isso seja maquinado, não sei até que ponto a mente avança neste ritmo de apatia de espírito, no qual o corpo se indispõe. Adoece.

Em contrapartida, em outros dias, a relação com o Mundo se intensifica – as andanças por ele tornam-se diárias. Contudo, pelo fato de nosso laço ser tão abstrato e frágil, sinto que é como se eu apenas estivesse, padecesse; posto que, no fundo, não existo. Contradições.

Meus devaneios já não se estabelecem pela falta de nexo que um dia tive comigo mesma, mas, sim, pela falta de nexo que mantenho com o Mundo. Nascem da persistência. Amadurecem no seio das angústias.

O cansaço reconforta. A lucidez não se anula. No entanto, a solidão se consolida.

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