últimos dias

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* eu de dia sou nulo, e de noite sou eu_livro do desassossego_fernando pessoa.

Nos últimos dias, afastei-me da escrita cotidiana em meu caderno laranja e, por conseguinte, neste domínio. Talvez, as palavras tenham me fugido, da mesma forma que os sentimentos escorregam como sabonete pelas minhas mãos. Vazio.

Guardei-me por sete dias no esconderijo. A angustia que o Mundo me causa já não cabe mais no peito. Às vezes, a sensação que se instala é a de que diminuo a cada segundo que passa. Como se eu estivesse dentro de um trem que se afasta da Metrópole – esta que aos olhos de quem vê se diminui pelo horizonte, mas no fundo é a névoa da solidão que nos caleja, como se quem diminuísse fossemos nós.

A convivência com as gentes me anula enquanto individuo. Prende-me com correntes. A perna faz movimentos frenéticos para se soltar. Não obtém sucesso. Termino exausta. Assim, a existência plena apenas se afirma nas noites, quando me resta somente um bom livro, o café, o cigarro e o céu escuro.

A janela aberta me abarca. Consolida a ligação que tenho com este Mundo. Porém, a imensidão do escuro da noite me aperta e cimenta que, porventura, a existência por si só não possua significado. Riscos.

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