desatinos #2

* sobre o último período e os apontamentos futuros;

** ao som de Elis Regina, Mundo da Paz.

O que há de mais frágil dentro de mim – e que perpassa todas as estranhas que habitam meu corpo – se resume a uma só mistura: lucidez com sofrimento. Contudo, os níveis de cada elemento oscilam sem aviso prévio, colocando-me em um estado de negligência com o todo que chega a ser egoísta. De todas as pessoas que me vivem, os meus pólos se contrastam no pior da essência do “8 ou 80”. Se por um lado, existe um eu que se fascina com a sociedade e que se contagia pela luta cotidiana por um novo futuro; o meu outro extremo, é o deserto, é o que de mais abstrato a mente pode compor sobre este Mundo, o devaneio cotidiano e disparado das contradições dele, a necessidade de solidão, a auto-suficiência sufocante, o não saber do porquê da vida.

Assim, a necessidade desta escrita venha pela confusão que se fixou na minha mente ao longo dos últimos sete dias. Nestes, não fui minha. Fui de tudo que é exterior a mim na maior parte das horas. Isto, no entanto, não significa que não fui eu. Ao que parece, os meus vários eus estão, ao seus modos, se encaixando no que a vida nos coloca. Lentamente, porém existem tentativas. Também não quis dizer que me alienei perante as tarefas do dia-a-dia. O equilíbrio entre as necessidades do corpo e as vontades da mente ainda é prioridade zero.

O vazio que me perseguiu durante esta semana é diferente do meu vazio corriqueiro tão expresso nos relatos passados. O vazio que me assola, no exato momento, não é o anuncio de uma recaída. Porventura, seja a assimilação do meu corpo a alguma negociata existente entre as minhas diversas mulheres. Quem sabe o que serei amanhã. Ou, ainda, pela noite que se aproxima.

Se por muitos dias a minha companheira Lucidez me entorpece e o Sofrimento demasiado me engole. É dado que, em outros, se houver harmonia na dupla e auto-cuidado: o futuro me pertence.

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3 thoughts on “desatinos #2

    1. Tu sempre me colocando questionamentos tão necessários para ajeitar essas minhas reflexões tão confusas. Olha, creio que Fernando Pessoa seja bem preciso “Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir.”. A cura eu não sei, mas pelo menos escrever acalma.

      beijos, querida.
      obrigada pelo comentário 😉

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