dissabores novos

*Esse texto não é continuidade de nenhum deste ano

** Talvez seja um novo texto de ano novo ou até mesmo um acúmulo de notas de rodapé

 

Lembro-me de um texto que escrevi em 2013 no qual meus dedos calejados almejavam compor a mudança. Não se passou de mais um relato nostálgico e dolorido do passado. Dessa vez, portanto, farei de maneira clara, sincera e sem usar daquela minha tinta da melancolia; querendo finalmente demarcar essa troca de roupa que de tão necessária – agora! – bate e pisa e chuta a minha porta.

Abre. Abra-se. Abrace. Não ao que não foi. Sim ao que virá. “Por que não?” para o que possa aparecer, acontecer e se suceder. Então, que venha novo. Que não tenhamos o de novo. Destrincharei aqui uma síntese daquilo que não me incomoda, mas te incomoda. Ou, pelo menos, tentarei organizar minhas impossíveis confissões, meus medos caducos, minha mente fria e doida e sem sentido.

Começo meu relato ainda sem rumo e desconexo, com algumas dúvidas sobre como prosseguir, como redigir. Se o farei com a razão ou não. Se a sinceridade e a sobriedade estarão comigo o tempo todo. Mas, principalmente, se farei deste um abrigo sentimental, uma espécie de porto-seguro sem erros ou apenas um reduto de todas as minha falhas, das minhas inquietações. Talvez eu escolha esta última, mesmo ainda irredutível no que tange contar-me, culpar-me ou até me assumir. Gosto do sabor dos meus esconderijos, fazer o quê. Só espero não me perder nele e, no final desta escrita, encontrar a saída:  tal que marque as angustias de quem ficou e as desventuras de quem foi.

A súplica quente de querer-me sempre aquecida solene me intriga. Intriga essa minha pele e alma tão geladas, esse meu muro tão bem construído, esse meu olhar de descaso, o meu jeito impessoal e não natural de lidar com o todo, com todos. A contradição então paira. Pois, ainda assim, existe sangue que corre, coração que palpita, avalanches. Existe um “sim, me abrace”, tem vontades. Tenho vontades. Tenho sentir. Por vezes, tenho demais. Aparento, no entanto, de menos. Falta sensibilidade. Falta-me, talvez, uma marreta para derrubar meu muro, quebrar minhas travas, meus medos, meu estou. Dessa forma, mantenho-me na condição de que sou isso. Talvez imutável. Talvez insensível.  Não me aquece, mas me mantém protegida. Todavia, ainda quero o fulgor vermelho de uma lareira e uma boa taça de vinho, talvez também alguma companhia.

Ainda assim sou fogo. Estou fogo. Difícil dizer. Quero deixar de ser um iceberg no meio do oceano infinito. Deixa a frieza e o gelado. Deixa de ser insensível. No fundo, a grande mudança que meus dedos e desejos aflitos anseiam em contar é esta: preciso urgentemente da transição entre sou e estou, por mais confuso que seja; preciso deixar que vá.

Racionalmente, já contei da minha grande mudança. Agora, vamos ao próximo ponto: a grande confissão do porquê escrevo.

Confesso então que tenho medos e que, como uma bela relacionamentofóbica, meu maior medo é o que sentir, machucar-me. No entanto, não significa que não sinto. E dou voltas. Posto isso, a melhor amalgama para tal questão se resume no fato de que meu medo, na bem das verdades, transcende ao sentir e se relacionar, uma vez que tais são as consequências do medo da dor, do descontrole e da instabilidade. Além do mais, não escondo de ninguém que coloco a dor no campo das fraquezas, pois bem, doer-me trás a tona um eu fraco. Um eu que não quero que seja eu. Portanto, travo-me e atraco-me com os meus ninguéns.

Neste cenário, declaro falência deste meu sistema. Não quero mais ser guiada por esse meu jeito control freak que burla qualquer instância do meu sentir. Quero 2014 impulsionado pela coragem e não por uma idealizada e burocraticamente selada em cartório relacionamentofobia. Quero 2014 no vale tudo da vida. Quero dissabores novos, limites novos. Quero-me forte ou fraca. Apenas quero-me.

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