do último à alma

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“Memories light the corners of my mind, misty water-colored memories of the way we were. Scattered pictures of the smiles we left behind, smiles we gave to one another for the way we were. Can it be that it was all so simple then or has time rewritten every line? If we had the chance to do it all again, tell me, would we? Could we? Memories may be beautiful and yet what’s too painful to remember we simply choose to forget. So it’s the laughter we will remember, whenever we remember the way we were” – The Way We Were, Barbra Streisand

                Às vezes tudo passa tão rápido que, em um piscar de olhos, parece que o passado do ontem já se tornou tão sépia e preto e branco a um ponto de começarmos a pensar se tudo realmente aconteceu ou é nossa memória traiçoeira. O último ano foi tão maluco que eu não duvido nada que tudo tenha sido um tremendo sonho.

                Houve choro e vela e riso e canto e descaso. Houve querer voltar no tempo. Houve música. Houve desleixo. Houve sonhos e começos e realidade. Houve calmaria. Houve enchente e devastação. Um eu aqui e um você lá longe. Um eu aqui e um todos nós juntos. Houve pontos finais e pseudo-finais, reticências, ponto de interrogação, exclamação. Foi tudo tão estranhamente intenso e conectado que eu não sei se me cansou pela correria ou de tantos passos. Se fora de muito pensar ou de agir sem ao menos cogitar os prós. Se fora pelo tudo ou pelo nada, se fora pelo ter sido ou ter estado. A grande maravilha disso tudo é que fora.

                Nos últimos quatro finais de ano, eu tinha um discurso e uma mente trabalhando incessantemente em diversas linhas para o famigerado texto de Ano Novo. Tinha milhões de pedidos e vontades e certezas para serem escritas e acreditadas piamente pelos seus leitores. Eu agradeceria a alguns nomes, colocaria feijões para eles. Faria alguma piada de algo grotesco que me aconteceu. Diria que eu espero que ninguém saia da minha vida e que cada um me apraz de um jeito único e peculiar. Tão bobo, mas, no fundo, significante. Todavia, dessa vez eu não sei o que escrever, mas eu tenho a necessidade de fazê-lo, posto que algo me intrigou essa semana, ao me deparar com a música mais tocada no meu iTunes: ‘Amor é pra quem ama’ do Lenine. Eu dou risada.

                Eu ainda não sei ao certo como fazer isso, porque não queria que esse texto ficasse clichê, já que o ano que ele representa não fora, ou melhor, não poderia ter sido. Lembro-me quando comprei minha agenda 2012: abri, fui até o dia 31 de Dezembro e escrevei ‘Espero que tenha sido feliz’. Eu não pedi para passar em uma universidade, nem por “um amor para recordar”, nem por mais amigos, nem por mais dias de bebida, nem pela CNH, nem por loucura. Eu pedi apenas que a felicidade – ou algo que achamos que ela é ou que seja no mínimo parecido com – batesse a minha porta e me mostrasse todas as cores do mundo em 365 dias. No final: eu passei em algumas universidades, tive uma vida amorosa desastrosamente intensa, fiz amigos, colegas, bebi que nem louca, ri até o fôlego deixar de existir, chorei tanto que poderia ter desidratado, deixei a falta de memória me corroer e algumas amnésias entrarem. Deixei-me conhecer mais. Assim, fui conhecida. Descobri um Mundo. Deixei para trás aquilo que não se encaixa mais nesse Mundo. Fui quem eu queria ser. Vivi do verbo Viver.

                De algum jeito, maneira, situação ou acaso, no final deste ano de 2012, eu não tenho palavras para descrevê-lo. Nenhuma palavra que satisfaça a imensidão de vida que me rodeou. Nenhuma palavra que se encaixe nos autos e descreva mi-nun-ci-o-sa-men-te todos os trancos e barrancos, todas as dívidas, todas as lutas, todas as falas e todos os gritos. Nenhum termo que seja gostoso o suficiente e que tenha gosto de 2012. Dois mil e doce. Dois mil amores. Dois mil amigos. Dois mil sorrisos.

                Foi um ano tão vivo que o espectro não tem cores o bastante para me conceber um desenho colorido e perfeito… Ah, os últimos doze meses mostraram que nada é perfeito. Nada pode ser perfeitamente do jeito que queremos. No entanto, deixou bem claro que querer é poder e poder todos temos. Podemos sonhar. Podemos fazer. Podemos lutar. Podemos falar. Podemos amar e odiar a mesma pessoa. Podemos amar e odiar o Mundo. Podemos gritar. Podemos birrar. Podemos. Podemos o Mundo mudar. Podemos mudar a nós mesmos. Podemos ansiar por mais. Podemos deixar coisas para trás. Podemos esquecer. Porém, só não podemos apagar e, muito menos, nos arrepender. E, ainda assim, “tem tanta coisa pra ontem” que eu se o ontem não fosse passado tão distante, ainda poderíamos nos resolver.

                Não me arrependo de um nada. E, para mim, isso que torna 2012 tão magnífico: ter feito aquilo que queria fazer, na minha hora, no meu tempo, do meu jeito, sem porquês. Pensando bem, no fundo, o que fez 2012 dar certo foram todas as horas pontuais que deram errado. Cada erro ou cada saída da minha rota traçada me trouxeram uma vida a mais, um gosto novo, uma vontade de ver tudo pegando fogo. Todas as coisas que poderiam ter dado certo, mas deram errado, disseram-me que eu poderia fazer o que quisesse, mostraram para mim que eu poderia, apenas. E é por poder que eu vivi. Eu posso viver.

                Eu sei que pra mim o ar desse ano é único. Tem fragrância própria. Sabe quando você sente o vento te abraçar? E do nada aquela sensação de que o Mundo você pode abarcar? É exatamente assim que eu me sinto; apesar de todo o barulho, de todas as lágrimas, de cada pedaço do meu coração que ao poucos foram ficando ali e acolá. E se você fechar os olhos e olhar pra dentro de si, eu sei que você vai entender. Nada melhor do que o primeiro cigarro, do que o primeiro ‘eu te amo’ olho a olho. Nada mais confortável do que sorrir com cada lembrança e ver que, certo ou errado, tudo valeu para algo. Assim se resume esse ano tão excelente, tão excitante, tão misteriosamente feliz. Bem que eu já me disseram que “o essencial é invisível aos olhos”: eu não conseguiria solidificar ou personificar algo e nomear de 2012, nada conseguiria trazer esse sentimento de necessidade de viver tudo de novo e de não querer perder nenhuma peça desse meu tão bem composto ano.

                Dessa forma eu finalizo: quero agradecer a todas as peças. Obrigada por terem me dado esse quebra-cabeça. Obrigada por terem me mudado de algum jeito. Obrigada por terem me dado cores novas. Odores novos. Dissabores novos. Palavras novas. Abraços novos. Que venha 2013 com esse ar estabelecido de mudança, com muitas lutas, com muitos amores, com muitas metas. Que venha 2013 com a minha sina do Três. Que venha 2013 ainda mais vermelho. Ainda mais quente e indescritível. Por fim, que venha 2013 me colocar em um Estado de Ouro.

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