saudade de chumbo

“De repente toda a mágica se acabou…” (Fernando Anitelli)

                E então aperta e afrouxa. Dói e faz cócegas. É riso incerto, é risada rasgada… Que ainda mais energia gasta. É química: há fatores que desestabilizam, assim como sincronia e razão na sua tendência – ou formam-se reagentes ou produtos. Desencadeia um mecanismo. Às vezes é difícil explicar o motivo ou a teoria, mas sabe-se que existe. Acontece. E sabe-se, apenas.

                Uma bela e majestosa reação. Talvez não tão apreciada – já que implica na falta -, contudo, necessária. Tal que se não existisse, não haveria aquele ditado que diz “só damos valor quando perdemos”… Lamento pelo destino. Dolorosa, intrigante e brasileira: a saudade.

O peito parece que explodirá. Os olhos insistem em ficar abertos. A boca clama por algo a mais. A mente desfalece e parte e dança e pula e chora. As mãos se tocam a fim de se completarem, mas nem assim. A respiração pesa. Os ombros se robustecem. No entanto, nada tece. E vociferam todos uniformemente em saudade.

                 O sono e o sonho: escassos. Não há sono; quando há, sonhos perturbam. Não há sono. Nem sonhos. Nem valsa.

                Sinos tocam e ecoam. E te chamam para um recomeço. Mas o barulho incomoda. “Fuja”. Nada será igual, nada poderá retornar-se a novo, ímpar ou singular. E nada cicatriza por completo: o dissabor se instala. E a dor passa. Todavia, saudade fica.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s