grão de purpurina

                Fama. Dinheiro. Audiência. Publicidade. É tudo isso que os aclamados heróis contemporâneos almejaram um dia possuir, assim, não abdicam disso “nem por um decreto”. Os heróis de hoje em dia não passam de celebridades passageiras, lançados na mídia por atos, muitas vezes moralmente questionáveis, ou por tantos outros, que maquilados por um sensacionalismo barato, são vendidos “à preço de banana”.

                Século XXI. O futuro; como tantas vezes assim fora chamado. O mais intrigante é como considerar o futuro este, sendo que moralmente falando é retrógrado. Haja vista que “herói” é o nome dado aos gregos àqueles homens divinizados. Aqueles que se distinguem por seu valor, e por suas ações extraordinárias. Exemplificando: o semi-divino Hércules.  No entanto, atualmente, a figura do “herói” é banalizada que muitas vezes, esse não é muito mais que uma celebridade ou um órgão que para se estabelecer num padrão dentro da sociedade faz alguma caridade, ou um daqueles famosos efêmeros que precisaram de coragem para “chegar aonde chegaram”, porém que a travessia pouco importa desde que haja um final patriarcal.

                O primeiro herói é aquele de sobrenome “mártir”. Aquele que preferiu morrer a renunciar sua fé, sua crença. Os de hoje, bem, renunciariam até sua pátria – mesmo que estadunidense – para ascender nas manchetes das principais revistas. É um heroísmo às avessas.

                Ao passo que, nas novelas de cavalaria do trovadorismo subitamente acontecia um conflito que desestabilizava o herói, para que, assim, ele próprio estabelecesse a ordem e chegasse ao objetivo; hoje, esnoba-se a travessia, ou na maioria das vezes, encurta-se essa e disfarçadamente alguns fatos vão parar “debaixo do tapete”, para que contemplemos a mister desses gatunos (os que escondem verdades) uma imagem distorcida.

                A honra de Ghandi. O altruísmo da Madre Tereza de Calcutá. A persistência naquilo que acreditava de Mandela. Para que figuras que trazem consigo sóis e luas? Para que heróis que morreram em si para darem vida ao herói que neles subsistia e que, como recompensa, tiveram o sentimento de possuírem consciência tranqüila?

                Prefere-se, em suma, a fraca luminosidade dos astros de Pedro Bial – sim, aqueles que o apresentador insiste em saudar como “meus heróis”. Esses que espelham todo o mundo da futilidade. E, que, não obstante, lutam pelo prêmio financeiro e contratos pecuniários do mundo artístico. Na prática: heróis; em tese, insignificantes.

                Nada disso trata-se de hedonofobia. É apenas que “todos os meus heróis morreram de overdose” ética. Para eles, fazê-lo é hedonismo. Hoje heroísmo é prazer físico, não mental. Heróis contemporâneos são aqueles que evitam a dor, mesmo que nela haja prazer.

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