nunca olhar para trás

                O único ensinamento que levo comigo é aquele que doeu mais para compreender: o de nunca olhar para trás. É difícil não fazê-lo. Trabalho árduo o de parar com as comparações. Seguir em frente, então, torna-se impossível.

Desgasta. Machuca. Prende. Afunda.

                Não deveria ser saudável sentir saudade; tanto que tal nem existe, de fato. Mas, todos fingem que é normal. Quando se tem saudade, um passado vem à tona. Tanto bom quanto ruim, trilham uma mesma reação úmida. Tanto bom quanto ruim, faz-nos retroceder… Comove. Pertuba.  Chia. Não deveria ser certo apegar-se. Não deveria ser certo revelar fotos. Não deveria ser certo o lembrar. Contudo, inevitável da raça.

                A maior parte do mundo vive para sobreviver. Mas, no intrínseco do Homem, quantas pessoas sobrevivem para viver? Quantas pessoas de fato pensam no dia Presente sem que sejam desviadas para um Futuro ou puxadas por um Passado? É irritante o modo superficial da atualidade; essa gente atribulada de funções sem sentido, sem saber o porquê – então surge a cobiça: pelo capital.

                Sinto a falta de paciência. Sinto uma gravidade em m/s cada vez maior. Sinto-me sendo fagocitada pela Terra – por tudo aquilo que fora esperado, mas nunca alcançado.

                Dá-se um fim do túnel no fim do dia. E, por definição, um novo túnel no amanhã.

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