olhar

Como você se sente quando, enquanto anda pelas ruas do Centro, vê pobres desabrigados? Como você se sente ao reparar que seus maiores problemas são ínfimos diante do resto do Mundo? E, ao chorar e espernear e alucinar, você percebe que ninguém dá a mínima para todo o seu narcisismo e egocentrismo? Então, ao realizar tamanha vastidão que se torna a vida e o globo, percebemos que somos pontos lamentando o dia de hoje e rezando – mesmo que sem fé – pelo melhor para o amanhã. Paramos. Limitamos a nós mesmos. A culpa logo toma força e começa um serviço penoso sobre nossos ombros e coluna já corcunda. Assim, nos arrastamos até a linha de chegada que nunca chega, é eterno. Ao reparar que tudo vai ficar em tal estado, enlouquecemos. Enlouquecemos e nos conformamos. Nada vai voltar, e o peso pressionando nossos ombros e cabeça permanecerá. Nenhum Deus pode tirá-los dali, ninguém pode assegurar que as coisas ficarão bem e serão esquecidas. É algo com o que temos que viver e nos adaptar. Tal que a vida prossegue, com seus altos e baixos sem sincronia. Com sua ampulheta sempre ali, esperando que nós desistamos, para que então, toda a areia termine de cair.

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