Do baque

Um baque me ocorreu. Como um estrondo fantasmagórico e angustiante, um choque de realidade. Senti como se meu coração diminuísse e ficasse do tamanho do coração do Grint. Senti minha respiração falhar e minhas veias começaram a saltar contra a minha pele. Olhei para o lado e tudo que vi fui eu. Olhei ao redor e tudo que consegui descrever foi o antes. Olhei para frente e nada vi.

Numa das recaídas de fim de ano, já me reconheci tantas vezes em outras pessoas. Já olhei e nos vi. Já olhei e quis ter sido. Já criei um passado concertado. Já imaginei o poderia ser. Já me arrependi. No entanto, quando deixo esse mundo hipotético e me estabeleço sem vontade neste real, não consigo me arrepender de nada. É como se tudo calculado fora para dar certo e errado, ao mesmo tempo, com as mesmas pessoas, nas mesmas histórias.

Às vezes, sinto-me traindo todos. Sinto que não deveria ter feito laços sabendo onde tudo daria no final. Sinto que estou me enganando, sinto que todos estão. Sinto a dor de deixar tudo para trás. Dor qual que se multiplica ao passo que penso que sempre é assim: quando quase tenho comigo, sou obrigada a ceder. Não deveria ter feito laços -por mais fracos que sejam, não deveria. Não quero sentir a amargura de lágrimas salgadas quando a ficha estiver por fim caída. Abdico qualquer sentimento. Odeio sentir. Odeio ainda mais quando não sou sentida.

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