o apanhado de sensações

Senti uma vontade avassaladora de escrever agora. Não quero escrever em terceira pessoa, nem fazer um diálogo de alegorias. Quis escrever algo mais direcionado. E, mesmo que não leiam isto, sentir-me-ei alguém melhor só ao escrever. Não quero ouvir que empreguei errada a crase, nem que fiz da mesóclise um erro crasso neste; não quero saber dos erros gramaticais, eles serão extintos por si só.

Não sei ao certo se isto é uma carta de despedida ou um relato que eternizará algumas das minhas lembranças. Não sei se uso o talvez ou o que na minha mente é concreto. Não me culpem, meu pensamento que não é linear, não sabe seguir imposições, apenas.

Andei pensando e reparei que a vida é a imaterialização de volátil. E são as pessoas da nossa vida a materialização de tudo que vai.  Muda-se o tempo, a idade, a persona e, principalmente, aqueles que fazem de cada tempo um tempo, de cada verdade uma verdade e assim vai. Ás vezes, vale-se mais de um amigo de hoje do que milhares de antes. Mas, não olhe para trás com rancor, eu ouvi alguém dizer.

Ao ponderar tais pontos, concluo que estão na linha tênue entre o hoje e amanhã. Reparei que não temos nada sólido agora para fazermos de pleno o depois. E isso foi um choque. Racionalmente, todos os seres humanos são felizes. Irracionalmente, todos eles são tristes e sozinhos. Entretanto, verdadeiramente, são todos tolos, são todos parvos. São todos irritamente veementes ao sistema de capital, e vêem nele uma felicidade. São sujos e contraditórios. Individualistas. Reclamam da educação pública, mas votam nos mesmos de sempre. Reclamam dos moradores de rua, mas pouco se importam como estes foram parar lá. Bem, acredito que a maioria se torna cega com o tempo, enquanto uma minoria sabe muito bem o que faz. De todo modo, por não entender direito como lidar com o senso comum, retenho minhas palavras e fico apenas como a classificação de ‘parvo’. Necessário é o novo, mas que ninguém ouve direito. Calam bem a mudança. Calam bem qualquer explicação que proponha o fim desse balcão de negócios, do jogo político. É, andei pensando muito nesses pontos, e isso me fez chegar ao pior deles: “O mundo todo abarco e nada aperto”.

Ter comigo tal verso em mente do glorioso Camões, fez-me sentir aquele intrínseco vazio. Como se nada estivesse comigo, nem nada estivesse em mim. Descobri o nada. Assim, desfiz certo nó que se manteve em minha garganta e tratei de forçar meu coração já descompassado a se apertar e mandar para meu cérebro tudo aquilo de bom que tive, todos aqueles que bons conheci. Não foram muitos, eu confesso, mas fora o suficiente para me sustentar por tantos dias rasos que se passaram.

Assim, dedico-lhes estas linhas que de escrita torta, se tornaram autênticas. Vocês poucos me deram o hoje, porém, ainda mais o ontem. Não sou de viver de passados, mas tenho comigo que o passado é a chave de uma fechadura do futuro. Fechadura essa que deverá ser aberta e descoberta. De tal maneira, que eu não saberia ter vivido sem vocês, mas descobrirei como é viver dessa forma.

É como se ontem eu precisasse de uma ligação da Heloisa. Como se ontem eu necessitasse de um “Linda” da Natália. De algum surto exagerado da Amanda. De uma rude palavra do Guilherme e de suas mãos enormes. De gestos brutos do Augusto e do Raphael. De uma cantarolada com a Andréia. De uma tarde de Charles Henrique com o Seiji. De ouvir um frufru da Beatriz. De tititis com a Larissa. De um almoço no Maria Cereja as Quartas com a Mariane. De risadas aleatórias com a Jamili. De um discurso de moral e das palavras desnecessárias do Gabriel. De uma frase do dia da Giuliana. Dos inúmeros “Bom-Dia” do Pedro V. Dos abraços da Bianca. Das palavras que a mim são conferidas pelo Gustavo. Da bagunça da Camila. Das palhaçadas do Artenisio. Dos não-sorrisos do Afonso. Dos bilhetinhos com a Carolina. Das “lobsters” do Daniel. Das conversas com a Marina. Da viagem para a Disney com a Fabiana. Das contas da Marian. Das brincadeiras com o Valotto. Dos vários vídeos engraçados. Dos churrascos com tudo que tínhamos direito. Das inúmeras festas surpresas.

Mas amanhã porventura não necessitarei mais. Em contrapartida, é como se eu precisasse de tudo isso e tudo mais daquilo. É uma dor que dói no peito não tão forte, porém essa se destaca e se faz presente. Enfim, esse foi o meu 2010. Meu 2010 tão exemplarmente pleno – mesmo com certas partidas, que lidaremos como uma ida e vinda. Digo que em 2010 disso tudo precisei. Em 2011, talvez, não precise tanto quanto, mas de alguma forma lembrarei e sentir-me-ei triste por não tê-los mais, no entanto, um sentimento bom me acolherá e tudo que passei intensificará o que passarei, e então meu passado remoto e onipresente dará vazão para um futuro ignoto, mas prometido.

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